Tourist VIP Rest Hotel

Austrália Oceania

Acertar com a entrada do parque/receção apenas à terceira tentativa é o melhor que nos acontece neste “oásis” do outback. Ainda estamos para perceber como um local destes está associado a alguma organização credível de estadias na internet. Adiante… O resultado da pesquisa para Tennant Creek resume-se a este belo pardieiro – safam-se (à justa) os quartos, não muito grandes, mas limpos, com frigorífico e ar condicionado – gerido por um velhote meio surdo, com pronúncia indecifrável e de humor pouco social. E um cenário terceiromundista, com higiene ao mesmo nível…  Todo o tipo de bicharada – catatuas e papagaios fazem parte do “zoo” privativo – que voe e rasteje está bem representado neste local de culto para os “Very Innocent People” (VIP), como nós. Por falar em rastejar, na cozinha um grande cartaz avisa para as 10 cobras venenosas que se podem encontrar na zona. Animador… Já a tentar dormir, um grupinho misto no quarto ao lado faz festa até alta noite. Agradecidos, não podemos ficar atrás. Tirámo-los da cama apenas um par de horas depois. O prometido pequeno-almoço não passa disso mesmo: promessa. Ilusão. Aliás, curioso o facto do check-out ser obrigatório até às 10:00, mas só a partir das 11:00 estar “alguém” na receção. Será que o breakfast se faz sozinho e não sabemos? Bom, o sol ainda esfrega os olhos e já estamos na estrada para mais 1.000 simpáticos quilómetros, que fazemos sem grande sofrimento. Almoço e passeiozinho em Katherine. No meio do espanto pelas inesperadas belas paisagens, escapa-se-nos a “árvore Stuart”, em Daly Waters. Stuart, um explorador soldado escocês, foi o primeiro a cruzar o continente australiano, em 1862. Saiu de Adelaide e chegou ao Mar de Timor. Em Daly Waters, perdido e numa altura em que pensava que não ia sobreviver ao outback, gravou o “S” do seu nome num eucalipto gigante. Os poucos que se aventuram de carro nestas paragens ainda podem apreciar a sua escassa caligrafia..

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?