MALACA

Ásia Malásia

Estar em Kuala Lumpur e não ir a Malaca é ainda mais grave do que ir a Roma e não ver o Papa. Não quisemos cometer esse vil pecado. Garantem-nos que em apenas duas horas estaremos lá. É verdade, não fosse o facto de, antes, termos de apanhar o mono-rail e depois o comboio até à central de camionagem, já na zona periférica de Kuala Lumpur. E, chegando a Malaca, ainda termos de apanhar mais um autocarro… Património Mundial da UNESCO desde 2008, destaca-se da presença portuguesa “A Famosa” (a Porta de Santiago da Fortaleza de Malaca), um dos locais mais visitados e requisitados para fotografias, e a igreja de São Paulo.Sentir a nossa história do outro lado do Mundo tem sempre um significado especial. Mostra-nos como fomos empreendedores e determinados quando o Mundo, enquanto conceito global, ainda estava em fase embrionária, de descoberta. Pena que nesta pátria tantas qualidades se tenham diluído, com o tempo e ambição de mentes menores. Sob persistente chuva, percorremos a zona a pé e as t-shirts que envergamos, propositadamente alusivas a Portugal, são pretexto para sermos abordados várias vezes. Esta gente não esquece a passagem lusa por estas terras…
Gosto particularmente dos folclóricos riquexós, densamente ornamentados com coloridas flores e todos – sem exceção – com música própria, qual delas a mais imprópria para os nossos ouvidos ocidentais. Mas perfeitamente adequada ao cenário. Foi em 1511 que Afonso de Albuquerque partiu de Goa (Índia) com cerca de 1.200 homens e perto de 20 navios para conquistar esta base estratégica para a expansão portuguesa nas Índias Orientais. Em 1641 os holandeses correram connosco, até cederem Malaca aos ingleses em 1825, por troca com uma outra cidade que lhes interessava mais, na ilha indonésia de Sumatra..

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?