“Barco que voa”, “pedra fria”, “olhos podres”…

Ásia Malásia

São expressões simples como estas que nos fazem tremer por dentro. Há 500 anos, em Malaca, os portugueses deixaram raízes que perduram até hoje. Mas a globalização – bem como o desleixo e desinteresse total das autoridades portuguesas – podem deixar acabar esta história de amor de luso-descendentes pela pátria que sentem como sua, mesmo nunca tendo pisado solo nacional. Sem qualquer apoio de Portugal, os jovens malaios luso-descendentes esquecem as suas raízes. Entendem o português, mas começa a ser difícil falá-lo. Depois, naturalmente, virá o esquecimento total… E Malaca passará, definitivamente, à História… “Barco que voa” (avião), “pedra fria” (gelo) ou “olhos podres” (olheiras) são expressões que ouvimos dos senhores Pedro e Edgar, ambos septuagenários, e que orgulhosamente falam e vivem a sua portugalidade. Impossível não nos emocionarmos com estas manifestações de afeto à pátria de gente simples do outro lado do Mundo que apenas sonha em não ser esquecida deste lado do Atlântico. Não é complicado, nem dispendioso ajudar esta gente, uma comunidade essencialmente piscatória de cerca de 1.300 elementos. Precisam de coisas tão simples como livros, manuais escolares ou roupas apropriadas para os quatro ranchos folclóricos que dançam e cantam temas portugueses. E meios para financiar diversos projetos, que a Bárbara tão estoicamente tem promovido.A ASSOCIAÇÃO CULTURAL CORAÇÃO EM MALACA e o blogue povos-cruzados.blogspot.com têm feito o trabalho que as autoridades nacionais teimam em esquecer, mas ainda há esperança de manter e recuperar laços seculares com parte da nossa história mais brilhante enquanto Nação.Quem quiser, puder ou souber de alguma forma de ajudar (qualquer apoio é mais do que bem vindo), basta contactar a Bárbara através do blogue ou da associação. Ou do facebook. A Associação Malaca está nos meus amigos..

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?