DOHA

Médio Oriente Qatar

Já com saudades das festas que por esse Mundo fora se têm feito em nossa “homenagem”. Guardaram-na para a despedida. Em Doha, capital do cada vez mais pujante Qatar. Temos apenas 12 horas para conhecer a cidade. Pagamos o Visa para entrar no país e metemo-nos à aventura. Um minuto após entrarmos num autocarro, já nos perguntam se somos brasileiros. “Falam a mesma língua”, justifica um sorridente curioso. Esclareço que do outro lado do Atlântico falam português, língua que é usada em vários continentes. O jornalista/comediante, nosso interlocutor, sorri com a aula. “Já tens um destes?”, pergunta-me de seguida, referindo-se ao cachecol do Qatar. Face à minha nega, com a cabeça, oferece-mo. Com um sorriso ainda maior. Saímos na central de camionagem, o caos em terra batida. Vamos apanhar novo transporte para o centro da cidade, mas as estradas estão bloqueadas. Há festa. Mesmo com mochilas pesadas, enfrentamos a jornada e vamos a pé. Milhares e milhares pelas ruas, orgulhosos com o dia da independência do seu país. Em Portugal, o 10 de junho é apenas um feriado para muitos irem à praia. Aqui vive-se efervescente orgulho nacional. Nunca vi concentração igual de jipes. O petróleo dá, realmente, para muito. Foi assim que se conquistou o Mundial2022 de futebol, feito ainda bem vivo nos locais. Ao som de ensurdecedoras businadelas constantes, caminhamos toda a baia, em quilómetros sem fim. Sheiks e sua trupe trajados a rigor, senhoras de burkha aos saltos e as que mostram o rosto (com cabelo tapado) com bandeiras do Qatar estampadas em cada lado da face. A fome aperta e, enquanto caminhamos, procuramos comida. Em vão. Uma festa de arromba e NADA para comer em lado algum. A polícia sugere-nos ir até à imponente zona dos arranha-céus, que tinham vários restaurantes, mas, lá chegados, NADA. Ao longe, estas torres têm um efeito fantástico. No terreno, um local sem alma. Dinheiro, luxo, mas ausência total de alma.O fogo de artifício a cobrir toda a extensa baía é imponente, porém nada que se compare ao nosso. Falta-lhe “cor”. O fogo do nosso S. João faria corar os senhores do petróleo. No fim, jantar em apinhado “souk” e depois, aos empurrões, lá conseguimos lugar num autocarro que nos deixa perto do aeroporto. No meio do trânsito infernal, não há sinal de táxis. Sabemos que vários aeroportos na Europa estão fechados devido ao mau tempo. O que nos reservaria Milão?.

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?