TUDO PARA COMEÇAR MAL

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Ruanda?!?”, terá soado do outro lado da linha.”SIM!! Fica em África. Depois explico”, responde quem era suposto ajudar.Um erro tecnológico (bom, talvez com igual dedinho humano) apagou o bilhete de Mr. Bill Sorridente, emitiu Istambul/Kigali em duplicado, faltou da Turquia para o Ruanda.O sistema de check in no aeroporto da Turkish Airlines exige visto que não temos (online nem franziu olho). A nova autorização tripartida Ruanda/Uganda/Ruanda ainda não é pública, demorará o seu tempo a ser comunicada a quem de direito. “Não podem voar. Sem visto, nada feito”, insiste.Mas eu tenho bilhete já emitido…Check in já tinha fechado. Enviam-nos para o balcão da companhia. Insistimos que só aceitam pedidos de visto a três dias do voo. E que só o entregam à chegada. Sem qualquer comprovativo da solicitação.O chefe de cabine não autoriza. Um outro responsável dá igual nega. Zelosa funcionária não parece disposta a ouvir-nos. Não podemos embarcar e já nos atiram para o dia 09 (atraso de três dias). Com onerosas taxas suplementares. O azar nunca gosta de andar só.  As tecnologias não ajudam. Não consigo aceder ao meu mail onde tenho resposta para o problema. Autoridades do Ruanda a confirmar a emissão de visto apenas à chegada.Beco sem saída.”Esqueçam o voo de hoje. Já fechou e não há nada a fazer”, sentencia. Soa impaciente e quer avançar já. Contra os nossos interesses. 10 minutos para descolagm. rasgar os céus de Lisboa. Não temos bagagem de porão a nosso ‘favor’. Correu mal…Sereno, Mr Bill Sorridente surpreende. Relaxadamente passa-lhe o iphone com a resposta ruandesa que lhe tinha reenviado. Um sinal divino? Consta que nenhum dos dois acredita nisso.A nossa interlocutora muda de cara. De cor. E de atitude. Faz um último telefonema…”Despachem-se para a porta 42″, desafia. E corre – literalmene – connosco.Eu tenho bilhete e avanço. Basta de sustos e surpresas. Mr. Bill Sorridente forçado a aguardar no primeiro controlo. Espera autorização especial para ‘correr’. Não tem bilhete emitido. Três controlos depois, ouço o nosso nome repetidamente na instalação.Sem sorrisos, fazem-me embarcar. “I’m in!!”, regozijo-me. Em silêncio. Mas esta equipa é feita de dois. Minutos depois, Bill instala-se umas filas à minha frente. Ultrapassado primeiro obstáculo com tudo para acabar mal. Nem imaginávamos o que viria….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?