Curtir Kigali…

África Ruanda

Deambular por Kigalinão se faz a pé. A cidade espraia-se por mil colinas, boas de explorar no acessível taxi-moto. Se descontarmos o capacete que passa por milhões de cabeças, a experiência é do melhor. E testamos as capacidades negociais sempre úteis, se pensar em quase mês e meio pela África profunda…Não há verdadeiramente um centro. Antes uma zona…. Simpática. Tanto podemos pagar um euro por um café horrível, como dois por fantástico almoço buffet. Com bebida incluída. Em lugar onde apenas os locais vão. A menos que näo haja alternativa, a ideia é fugir ao turismo (ainda que parco) e fundirmo-nos com os locais.A traição de alguns padres e freiras católicos durante o genocídio fez diminuir claramente o número de crentes, que optaram por distintos credos. O islão avançou. E a igreja pentecostal talvez mais do que nenhuma.Parece uma feira, mas é uma cerimónia pentecostal. Entramos e sentamos em lugar com vista privilegiada. O pastor prega alto, de olhos fechados. Um outro elemeto canta, acompanhado de viola e órgão.  Os fiéis cantam e rezam. Expressivamente. Cada um para seu lado.Sou abordado por jovem. Pergunta se entendo algo da sua língua. Predispõe-se a arranjar quem traduza o sermão. Não será necessário. A visita ao memorial do genocídio será para relatar quando recuperada a paz de espírito. Demasiado violento.Visitamos também o lugar onde 10 soldados belgas foram assassinados na altura do genocídio. “Estavam mais de 500 em fúria, lá fora. As paredes exteriores mostram a artilharia pesada usada. Foram encontrados todos mortos naquele canto”, indica o guia. O número de buracos na parede é revelador: Foi mais um dos muitos hediondos massacres.O Hotel des Mille Collines (o tal que inspirou o filme Hotel Ruanda) é onde nos refugiamos aos finais de tarde. Visita-lo-emos três vezes. Todas com  inusitado prazer. Lugar assaz agradável. Quando descemos dois quilómetros, a pé, para experimentar o aconselhado Chez John, dececionados com o ambiente. Pouca gente. Esperamos hora e meia pela comida. Valeu pela sua excelência. Frango com limão e alho. Espessa papa de mandioca, banana, arroz e um delicioso molho que não identificamos. Melhor assim. A esplanada do African Bite, onde jantamos na véspera, era mais cativante, mas o buffet não tinha a mesma qualidade.  Em ambos, vinho – sempre a copo, pois ninguém vende a garrafa.. Apesar do preço exorbitante (três euros o copo), juraria que talvez tivesse uvas…A ordem e limpeza em toda a cidade provoca inveja. Jardins arranjados. Relva aparada. Impressionante. O seu perfume seguirá connosco….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?