Rumo ao Burundi…

África Burundi Ruanda

Se o Congo não nos deseja, certos de que no Burundi tudo será diferente. Depois de peripécia que leva a várias trocas de viatura, estamos já voar rumo à fronteira. Este Ruanda é mais modesto, nem por isso menos cativante. Todo ele merece mais gente a visita-lo, ajudando ao desenvolvimento económico. A menor organização e pobreza traz outro tipo de fotografias. Ficamos a sete quilómetros da fronteira. Sem espaço para sair com  a mochila, ‘deserto’ logo pela janela. Gesto apreciado por risos de quem se juntou à volta da Hyace em busca de negócio. Num par de minutos, táxi negociado.Ainda só estamos a mostrar passaporte no primeiro controlo de saída do Ruanda e é a própria polícia a tentar impingir-nos táxi até a capital Bujumbura. Prematuro. E demasiado caro. 50 dólares (parece número mágico por estas bandas) cada um. Sorrimos e avançamos para fronteira de luxo, nada a ver com realidade dos países. Sem controlo militar ou policial algum, pagamos visto de 40 dólares e caminhamos.  Estamos no paupérrimo Burundi. Um táxi já esta a abarrotar e não há mais transporte algum. Nem parece que venhamos a ter sorte a esse nível. Chegam cansadas motos e seus humildes donos. Não falam qualquer outra língua que não a sua.
Não entendem que queremos boleia até a primeira povoação com transporte para a capital Bujumbura. Subitamente, inesperado tradutor. Nervoso, mas com excelente inglês. Pede 5 euros por pessoa. Fecharemos por metade, mesmo sabendo que teríamos sorte por bem menos.A aceitação motiva inesperada explosão de alegria. Amigos felicitam-no. Abraçam-no, dizem palavras supostamente elogiosas. Logo ali lhe adiantam comissão. Nas nossas sorridentes barbas. Meia hora depois, milhares nas ruas. Em cenário apocalíptico. Pobreza extrema. Tal como a simpatia e sorrisos. Bill Sorridente e Daniel vão trocar dinheiro e presenteiam-me no seu regresso com delicioso quarto de ananás prontinho a comer. Soberbo. Elogiam o mercado.Fiquei a guardar as mochilas e a confraternizar. Queixam-se que não há trabalho. Dinheiro. Oportunidades. E até em África têm limitações à  circulação. Fácil constatar a dureza  e veracidade das palavras. Querem saber de mim, do meu país. De como é na Europa. O valor que paguei pelo voo é “pornográfico” para eles. Por isso, insistem que me sobra dinheiro. Que não é preocupação que alguma vez tenha na vida.Partirmos com lotação mais do que esgotada. Três horas enlatados. Belíssimas paisagens. Genuinidade por todo o lado. Estrada boa…. Ate que degenera e vamos a ziguezaguear a passo de caracol até à capital. Tormento que mói.Cemitério de quilómetros em ambas as faces da estrada. Entre frondosa vegetação. Muitos soldados ao longo do caminho. A rota é considerada bastante perigosa, regularmente palco de conflitos. Guerrilha com o Congo. Entraremos em Bujumbura surpresos com a quantidade de arame farpado nos muros dos edifícios….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?