JINJA

África Uganda

Percorremos a pé a rua principal de Jinja um par de horas após deixar a pouco saudosa Kampala. Ainda pensamos arriscar raide a Juba, mas não passaremos na fronteira. Morreram nove soldados do Uganda em resultado dos graves conflitos no Sudão do Sul. Plano adiado…Em metros da apenas centenária Jinja veremos mais edifícios interessantes do que em toda a caótica capital. Instalamo-nos com vista superior para o Lago Victoria. Merecemos. Antes de explorar a nascente do Rio Nilo, que serpenteia por África ao longo de 6.500 quilómetros,  tiramos proveito máximo da piscina. Africanos, alguns indianos e nós. Curiosamente, somos dos poucos que sabem nadar… Com naturalidade.Faremos amizades para o jantar.  ‘Ouvimos’ sermão pelos 10 minutos de atraso, quando nos vem buscar. Gostamos da novidade. Pela primeira – e única – vez, não temos de esperar.O Dois Amigos é o lugar ideal para estreitar laços. Restaurante ao ar livre com muito bom gosto. E comida a igual nível. Temos duas meias irmãs (mesmo pai árabe) completamente diferentes – uma mais tranquila, que privilegia o efeito das suas sinuosas curvas nos outros, e outra de  espirito ágil e língua afiada, por quem o amigo que as acompanha parece completamente apaixonado. Mas sem a mínima hipótese.
Para contento de todos, proíbe-se qualquer comunicação que não seja em inglês. Agradecemos a gentileza do convite e a noite fica por nossa  conta.  Primeiro, no musical bar do próprio ressurte. Depois, em animado bar no centro da cidade. Finalmente, em discoteca. As nossas amigas brilharam em noitada que moeu, no dia seguinte. Apostamos em caminhada matinal para, finalmente, visitarmos a nascente do Nilo. Passamos por assombrosas casas do colonialismo que perderam o esplendor de há muitas décadas, agora habitadas por ‘negligentes’ e pobres famílias numerosas. E por outras que continuam em forma, a contento de alguns privilegiados. Está calor e entramos nos despidos jardins de um hotel. Não entendemos como se desperdiça  oportunidade de ter esplanada privilegiadíssima para o berço do maior rio do Mundo. A nosso pedido, três cadeiras, uma mesa e um guarda-sol atravessam 50 metros de relvado bem tratado até se instalarem a contento do nosso justificado capricho.Seis euros a cada permitem-nos mais tarde,  aceder à desejada nascente do Nilo, que alivia o enorme Lago Victoria. Fomos pelo único lado onde se paga. Acedendo por caminho fora da estrada – por onde sairíamos – acreditamos que  tudo seria diferente.O simbolismo do lugar ganha dimensão com a homenagem, em estátua, a Gandhi,  que por aqui andou. Serenamos em nova esplanada, junto ao caudal.O almoço será no exclusivo clube naval. Gerido por indianos. Esplanada junto ao lago. Comida top. Primeiro aceitam visa, depois, afinal, já não. Dólares. Mas só notas emitidas após 2006. Novela que daria início a outra bem maior. Preparamo-nos para rumar à Etiópia, através do Quénia..

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?