FATAL MUDANÇA DE PLANOS

África Uganda

A ideia era ir de autocarro de Jinja a Nairobi (Quénia) e aí apanhar avião para Adis Abeba (Etiópia). Diferença para voo de Entebbe para Nairobi e o autocarro ronda os 50 euros. E entendo que Bill Sorridente e Daniel não desejem passar 12 horas em autocarro noturno. Estamos combinados.Tentamos reservar voo na internet. Não dá. Melhor iniciar a viagem para comprar no aeroporto. Ainda são uns quilómetros… O regresso começa muito bem, pois temos piloto de Formula 1 ao volante. Ao chegar a Kampala, o trânsito complica estupidamente. Já a pé, seguiremos local que continua para Entebbe, a uns parcos 40 quilómetros da capital. Na amálgama humana e parca luz conseguimos não a perder de vista até ao novo transporte. Desde que sentamos o coiro cansado na Hyace, táxi coletivo, serão três penosas horas até ao aeroporto. Entalados à saída do parque de transportes. Avançamos mais uns metros e nova paragem. Não completámos um quilómetro na primeira hora.O trânsito caótico leva a polícia especializada a cortar vias durante uns 15 minutos. Até as deixar “respirar” novamente. Várias vezes contempladas com essa sorte. Chegaremos perto do aeroporto com tempo contado. Trocar para táxi normal e nova surpresa: passa das 23h00 e há fila enorme. Controlo policial. Temos de sair da viatura e ir para uma fila. Revistam as pequenas mochilas. As maiores, na mala do carro, avançam sem qualquer controlo. Estupidez pura. Só atrapalham e não são eficientes a precaver algum potencial ato  agressivo.Vamos diretos aos escritórios da Ethiopian Airlines, mas o responsável vai sair e não ajuda a comprar bilhetes. Diz que tem amigo agente que pode fazer isso. E que lhe pagaremos a ele, já que amigo não está no aeroporto. Percebemos que vamos ser explorados. Risco assumido.No check in o nosso “amigo” complica com várias pessoas. Embirra, mas depois cede. Ainda não tem novas para nós. Somos salvos por jovem de Hong Kong que tem portátil e internet móvel.
Reserva confirmada, sorrisos e fotos com a nossa salvadora nova amiga. Somos os últimos a avançar. A reserva está confirmada, mas pagamento ainda não está processado, mesmo com dados bancários bloqueados.Mostramos reserva e ele não quer saber. Que não estamos no sistema. Pode ajudar-nos, mas em vez de ser parte da solução, decide ser o problema. Desaparece e ficamos apeados. Vamos espera-lo ao escritório. Frustrados, dizemos-lhe que podia ter resolvido. Que vamos apresentar a situação à companhia aérea. Pedimos a sua identificação. Diz que nada teme, mas recusa-se a faze-lo. Não  pode ir por esse caminho, mas é assim que age. O tom da conversa sobe. Identifico-o com foto. No gosta da ideia. Fica possesso. Chama a segurança. Vem a polícia. Manda mais do que o agente, completamente impreparado, leva a questão para o “os brancos acham sempre que podem fazer tudo”. São 03h00. Todos cansados e a quererem dormir. Estamos em terreno adversário. Resolveremos no dia seguinte.Primeiro hotel está completo, conseguimos à segunda tentativa. Antes de dormir, melhor reservar já os novos bilhetes. O prometido wifi não esta a funcionar. Bill já ‘aterrou’, Daniel tenta resolver, com os seus conhecimentos informáticos. E eu ajudo. Mais de uma hora. Em vão. É ainda mais tarde, vamos dormir.07h00, a querida funcionária liga a dizer que pequeno-almoço já está pronto. Estou capaz de trucidar alguém….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?