Achavam que tinha acabado??

África Uganda

Ser acordado por violento telefone duas horas após ter adormecido não é a minha forma preferida de despertar para o dia. Sou de humor fácil e ligeiro, mas a noite anterior fez esmorecer o habitual sorriso.Não consigo voltar a dormir – muita claridade e barulho do trânsito na estrada principal – e desço para o pequeno almoço. Tenho de relembrar da internet e, surpresa das surpresas, em 20 minutos chega um ‘técnico’. Garante resolver o problema em ‘cinco minutos’. ‘Antes de terminar o café, já estará a navegar’, diz-me, com triunfante convicção. Ataco o pequeno-almoço, uma delícia, e vou indagar. Pois… Parece que não esta fácil. O semblante mudou. O sorriso de perito deu lugar a um sem número de desculpas, que desfilaram durante uma hora. Bom, assim é tempo de partir. Não dá para arriscar mais.Cumpridas todas as burocracias da complicada entrada no aeroporto, avançámos para os escritórios da Kenya Airways. A menina diz-nos um preço. Dizemos que é bem acima do vimos na internet. Diz-nos que online é mais barato, mas estamos por nossa conta.Operação ‘internet’ em marcha. Sobram indicações de free wifi no aeroporto. Na verdade, ele não existe em lado algum. Todos a quem perguntamos dão palpites. Na prática, ninguém sabe nada. Normal.Tentámos no computador do balcão de informações –   senhora interrompeu o jogo de cartas – e nada. Nos bares/restaurantes, idem. Há um internet café a meias com os correios do Uganda. Foi desactivado. Um sorriso e a funcionária já nos cede o seu pc. Descontraidamente.
Processo avança… E encrava porque já não dá para reservar online. De volta à agência. Menina recorda que já não temos muito tempo. Convidamo-la a confirmar as nossas dificuldades. Avança com o processo enquanto vai atendendo telemóvel.Decidimos ir para Etiópia via Mombaça, Quénia, onde ficaremos duas noites. Preço exorbitante. ‘E só podem pagar na moeda do Uganda’. 452 (!!!) dólares não é soma fácil de conseguir tirar do ATM em um só dia. Três bancos e nenhum adianta dinheiro com visa, apesar de todos terem indicação que o fazem.Finalmente, conseguimos. Cada um, uma montanha de notas.Menina quer fechar o processo rápido. Ao fazerem as contas, percebemos que nos cobra uma taxa disparatada para a conversão. Protestámos. ‘Então paguem em dólares’, atira. Exatamente o oposto do que dissera antes. Voltamos ao banco com uma caixa de notas. Voltamos a perder no câmbio… Mas deixar assim, cada um iria pagar uns 75 dólares a mais. Não há necessidade…Situação resolvida. Bolsos limpos. Hora de embarcar, com escala em Nairobi. Pesadelo ultrapassado….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?