Forte Jesus de Mombaça

África Quénia

Assassínios, cercos, fome, bombardeamentos, crimes e traições. Este monumento que os portugueses edificaram em 1593 e a  UNESCO tornou Património Mundial da Humanidade em 1997 tem histórias suficientes para uma longa-metragem. Entre 1631 e 1875 mudou de mãos nove vezes. Começou com a revolta dos locais, que acabou com a morte de todos os portugueses, mas o Sultão de Mombaça não recolheu apoios e os lusos voltaram pouco depois. Ainda hoje se podem ver marcas das diferentes  tomadas de poder. Em 1729 partimos de vez, com a reconquista pelos árabes omanis.O Forte Jesus de Mombaça devolve-nos a um tempo pleno de aventuras e descobertas do Mundo. Eram menos de 100 os portugueses a defender este bastião em África, a intermináveis e perigosos seis meses de barco da pátria. Tudo começou em 1498 quando Vasco da Gama entra em Mombaça, mas as relações com os locais complicam-se pouco depois e optou por criar uma feitoria em Melinde, a primeira base no leste de África. Em 1589, os turcos construíram aqui uma fortaleza. Sentindo em perigo as rotas de regresso a Portugal, os nossos antepassados construíram o Forte Jesus.João Baptista Cairato foi o arquiteto italiano responsável pela concepção do Forte. Com a figura  completa de um  homem, dos pés à cabeça, a mando de Filipe ll. No seculo XIX foi prisão inglesa.No museu no seu interior podem ver-se artefactos históricos. Não muitos. Há uma guia que nos acompanha. “Este é Vasco da Gama”, diz-nos. As suas primeiras palavras referem-se, na verdade, ao Infante D. Henrique. Ao Navegador. Teríamos de a corrigir em mais um ou outro detalhe.Há uns anos a Fundação Gulbenkian investiu bom dinheiro na recuperação do forte. Foram feitas apenas ligeiras operações de cosmética. Diz-se por aqui – é discurso corrente – que o responsável queniano ficou com a maior fatia. Há um mural com supostos desenhos feitos pelos portugueses (caravelas, animais, igrejas…) que foi recuperado. Uma vez que o foi com o patrocínio da Fundação Gulbenkian, teria sido feliz que o português fosse uma das cinco línguas da explicação na parede….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?