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Adis Abeba

África Etiópia

Na Etiópia o aparentemente fácil, nunca o é. O “amigo” de Augusto e Paola continua em grande. Marca hotel em Adis Abeba no próprio dia e… falha. La Source – lugar recomendado, onde já haviam ficado – está lotado e o dito guia avança, tranquilamente, para autónomo plano B: hotel no meio de enorme estaleiro de obras, inserido em bairro de lata, sem saída percetível para a “civilização”. Como poderia adivinhar os nossos mais profundos desejos?? Fantástico! Pena não ter tido a oportunidade de o conhecer…
Seguimos para o La Source. A nossa querida italianinha tinha deixado lá uma peça de roupa há três semanas. E sempre podemos usar o charme para o milagre de arranjar quarto.
Primeiro as boas ou más notícias? Bom, na verdade Paola não quer saber da roupa. Estamos felizes com o triplo que conseguimos arranjar. À curta distância de gentileza, humor e sorrisos abertos.
Boa internet (em África, isso tem valor acrescido), staff fantástico, quartos bastante bons… e em que tudo funciona. Depois de tantos problemas, não posso desejar mais. Essa noite estamos naturalmente cansados e o jantar é pelas redondezas. Às 09:00 devemos estar prontos para explorar o que dizem ser o maior mercado de toda a África.
A esposa do competente “guia” será a nossa cicerone. Revela-se uma pessoa muito simpática e atenciosa. Cuidada de que os meus amigos ficam satisfeitos pelos seus gratuitos serviços. É movida apenas pela gentileza e promessa feita há semanas de que os ajudaria a negociar as compras finais.
O mercado está compartimentado. Queremos artesanato? Sabemos onde ir. Roupa? Mudemo-nos para outro lado. Comida? É para ali. Tecnologia? Para acolá. Importa é saber as áreas que procuramos, uma vez que depois é tudo mais fácil. Está tudo compartimentado. Caminhamos imenso, mas poderia ter sido bem pior.
Vendedores locais perguntam à nossa cicerone porque ajuda os “brancos”. É olhada de soslaio. Criticada e repreendida. Há mesmo quem nos diga, na cara, “a branco não faço esse preço”.
As tentativas de compras começam por ser duras e parece impossível conciliar interesses. Até que a “sorte” muda. Eu não tenho espaço livre na mochila e pouco me aventuro. Augusto e Paola também não, mas nem isso trava o seu justificado entusiasmo.
A nossa cicerone e o motorista escolhem o restaurante para almoço fora de horas. Mais do que aprovado. Tem comida local e internacional. As delícias italianas com que nos banqueteamos são elogiadas por Paola. Está tudo dito.  Sem tempo para apreciar, convenientemente, o museu nacional, seguiremos para um projeto de arte para ver as exposições. Pois… as supostas exposições. Nada. Vendem apenas umas litografias. E servem sumos invulgares. O de lima com mel revela-se agressivo ao palato. O outro, quase cor de chocolate, ainda não percebi bem do que era.
Tenho voo essa mesma noite e os meus companheiros de viagem na manhã seguinte. Preparo a mochila, despeço-me de Augusto e Paola. Digo-lhes o prazer que foi conhece-los. E reforçamos a certeza de que nos encontraremos, no Porto. Foram do melhor que me aconteceu nesta viagem. Adorei os dias com esta dupla.
Apanho táxi para o meu derradeiro jantar na Etiópia….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?