Sweet return to Istanbul

Médio Oriente Turquia

Volto ao Ataturk, o aeroporto que serve os interesses europeus de Istambul: há outro no lado asiático, o Sabiha Gökçen. Apanho metro e no fim da viagem, em Aksaray, mudo para a linha azul, já que desta vez vou ficar perto da revolucionária Praça Taksim.
África foi dura, densa. Quero o oposto para este primeiro dia em Istambul. Relaxar. Sem destino fixo, preocupações. Uma doce “irresponsabilidade” ou “desperdício”, dirão alguns. I dont care…
A avenida Tarlabasi tem muito por onde nos perdermos. É a “Santa Catarina” lá do sítio. Apenas infinitamente maior e muito mais concorrida. Do meio da manhã, quando o transito automóvel deixa de ser permitido, até altas horas da noite.
Estou na parte “moderna” de Istambul, mas não faltam motivos de interesse histórico na zona. Não perco uma das muitas deliciosas “passaje”, que são apenas pretextos para recordarmos o comércio tradicional. Bom, pelo menos sabemos que as grandes superfícies não cabem aqui. Um alívio.
Passo por cafés com “identidade”, restaurantes com extremo bom gosto. O meu olhar perscruta atentamente cada metro. Começo a descer e apanho as lojas de instrumentos musicais. O cenário estreita e a cidade ganha contornos mais genuínos.
Há um tasco na esquina com apenas duas mesas minúsculas (uma no passeio e outra dentro) que vai matar-me as saudades de kepab. Com a torre Galata à distância de um abraço. Gente que passa e sorri.
O corno de ouro está à minha frente e atravesso a ponte Galata – o que farei vezes sem conta – rumo ao tentador mercado das especiarias. Deixo-me levar pela corrente até que saio rumo ao grande bazar.
Na subida, o apreciar disperso distrai-me do caminho. Dois turcos travam um carrinho de mão demasiado carregado. Apercebo-me à última e desvio-me com salto. Saio ileso, mas a mercadoria virou. Um deles arma escândalo de todo o tamanho. Vocifera em turco e com gestos deve estar a dizer-me que ando a olhar para todo o lado, menos para o caminho. Em português fluente, justifico-me. Perante a sua insistência, sou mais assertivo na atitude, nas expressões faciais. E nas palavras, que continuam na língua de Camões. Tudo pára. Não vou alimentar cenas. Viro costas e sigo o meu caminho.
Entro em loja e sou excelentemente atendido. É sírio. Precisaria de melhor pretexto para conversa? Espera voltar a casa em 2014. “E ajudar na reconstrução do país e da sociedade”. Sei o que fará.  
Revisito o grande bazar. Estou no bairro de Sultanahmet, onde desfilam os principais “ex-libris” da cidade, que incluem ainda, entre outros, a Mesquita Azul, o Palácio de Topkapi e Hagia Sophia.
No regresso ao hostel exploro o tabuleiro de baixo da ponte Galata – em cima, são centenas a pescar, de manhã à noite – onde proliferam restaurantes com vista privilegiada para o Mar de Marmara.
O dia não terá muitas mais exigências. Estou com uma direta no corpo, já caminhei quilómetros e não quero queimar as minhas energias, que bem precisas serão para os dois próximos deliciosamente exigentes dias..

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?