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Médio Oriente Turquia

Levanto-me com a excitação de quem se recorda que viaja com liras turcas que ficaram por gastar há 11 anos, quando andei por Pamukkale. Pelas minhas contas, uns 25 euros extra para esbanjar no último dia em alguma mais-valia para a étnica decoração caseira. Ou prendinha para quem merece, certo?
Em viagem por África, onde a internet é lenta e fraca, só com boa ajuda é possível dar novidades: a “desconfortável” estreia de escrever em tablet não ajuda ao ritmo e qualidade da escrita. É aí que entra a Sandra, uma inspiração em tudo na vida e uma excelente ajuda para que possa dar notícias, com sentido. Já te agradeci o suficiente? Sei que estarei eternamente em dívida… Obrigado!!
Dizia que me sobra entusiasmo com os muitos milhões de liras turcas que passeio no bolso para trocar. Na primeira tentativa, dizem-me que apenas no banco central o posso fazer. Sorte, fica em caminho. Um pouco abaixo da torre Galata.
É em pose triunfantemente milionária que vou sorrindo à paisagem urbana. E com desmesurada confiança que entro no histórico edifício do banco central. Após minuciosa revista, sou logo atendido. Um luxo que jamais teria em Portugal.
“Como?? Apenas oito euros? Oito eurinhos? Just oitinho??”, lamento, quando vejo as míseras 25 liras que me são entregues. A donzela do outro lado do guichet fica surpresa com a minha teatral reação. Mostra-me as notas, uma a uma. E, com caneta decidida, corta os zeros em excesso. Como se eu fosse uma criança de primária, prova-me, de forma simples, que aquelas contas estão certas, rigorosamente corretas.
Sorrio. Encaixo. Digo-lhe que a primeira coisa que vou fazer com aquela fortuna é comprar um iate e dar a volta ao Mundo. Parece-me ficar na dúvida. Leva-me demasiado a sério. Mais do que eu próprio. Ponho-me a andar. Este dinheirinho ficava bem melhor num quadro, como recordação. Bom, dará para uma bela refeição. Valeu o trabalho, não as irrealistas expectativas.
Dará para uma Balik Ekmek e um ou dois kepab. Não chega para as peças em porcelana que penso comprar. Nem para a prenda de umas 15 especiarias embaladas que estou tentado a oferecer-me.
O dia que dedico à cultura revela-se demasiado curto. Pela quantidade e qualidade de locais a visitar. Ficarei frustrantemente limitado a Hagia Sophia (Catedral Santa Sofia), Mesquita Azul e Palácio Topkapi. Pelo respeito que cada uma destas maravilhas do engenho otomano me merece, contarei as experiencias isoladamente..

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?