Hagia Sophia

Médio Oriente Turquia

O número de visitantes surpreende. É mesmo um exagero. Suportável apenas porque andamos sempre com a cabeça no ar. Na verdade, na Basílica de Santa Sofia não há forma de andarmos com os olhos no chão. Nem ao mesmo nível. Apenas o fazemos quando subimos ao plano superior do edifício, onde o contemplamos em nova estimulante perspetiva.
É difícil combinar adjetivos para este secular monumento à arte e bom gosto. Seriam sempre gastos, ao contrário deste imponente e jovial sonho, construído em admirável recorde, entre 532 e 537. Durante mais de um milénio, foi a maior mesquita/igreja (já serviu islamismo e cristianismo) do planeta. Perdeu o estatuto em 1520. Para a catedral de Sevilha. Desde 1935 que é museu.
É dos maiores contributos da arquitetura bizantina ao Mundo. Diz-se mesmo que mudou a história da arquitetura. E não é só pela sua enorme cúpula (domo). Curiosamente, Hagia Sophia foi projetada por um médico e um matemático grego, ambos cientistas. Inspirou e serviu de modelo a várias mesquitas otomanas, incluindo a Azul, que fica mesmo em frente.
Está carregada de história. Por exemplo, foi aqui que, em 1054, a igreja católica apostólica foi dividida, definitivamente, em igreja católica romana e igreja ortodoxa. No chamado Grande Cisma do Oriente.
Em 1453 foi convertida em mesquita, agora sob jugo otomano. Sinos, altar, iconóstase (parede/biombo decorado com ícones que separa a nave da igreja do santuário) foram removidos e foram acrescentados os quatro minaretes, bem como o mihrab (indica a direção de Meca) e o minbar (púlpito).
Impressionam os seus pilares de mármore, colunas de granito e os mosaicos que a foram enriquecendo ao longo dos séculos, com admirável valor artístico. É neles que o meu olhar se detém sem tempo….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?