Ajoelho perante o Palácio Topkapi

Médio Oriente Turquia

Save the Best for last. Na verdade, em Istambul é difícil escolher o melhor. Ainda assim, confesso que me rendi. Por completo. Espalhada por soberbos 75 hectares, trata-se de uma infraestrutura com vários palacetes e quartos, ao invés de nave única. A visão do sultão Fatih Mehmet II, o Conquistador, começou a ser erigida em 1465 e ao longo dos séculos em que foi centro administrativo otomano foi sofrendo ampliações e remodelações.
O Profeta Maomé tem aqui exibidos pelos da sua barba e a marca da planta do seu pé. Outros profetas estão “representados” por objetos pessoais, como roupa. São João Batista foi mais original e “contribuiu” com ossos do braço e crânio. Não tardarei a descobrir que, para ser bem apreciado, Topkapi merece uma longaaaaaa tarde ou um excelente dia.
O Topkapi (“porta do canhão”, nome definido pelos muitos canhões que tinha à porta) assume-se como o maior e mais antigo palácio ativo do Mundo. Situa-se no ponto mais estratégico da cidade, no extremo da península “antiga”, assentado sobre a primeira das sete colinas da cidade. Daqui, contemplam-se as águas do Mar de Marmara, o estreito do Bósforo e o Corno de Ouro. Haverá vistas mais privilegiadas? Deslumbrantes.
O seu restaurante de luxo tem preços pouco convidativos. Não deixa de ser crime deixar passar a oportunidade de nos sentarmos e saborear o momento…
O luxo está por todo o lado. É a grandeza do projeto, os seus detalhes arquitetónicos, a tranquilidade (depende da hora, pois sobram turistas) dos pátios interiores e jardins e as vistas sedutoras, mas também nas fascinantes exposições. Temos tesouros, armas imperiais, roupas de sultões. E inúmeros objetos em pedras e metais preciosos. Muitos deles de figuras de extrema importância religiosa e política do Mundo Islâmico.
O Palácio Topkapi não se reduz a toda esta altiva imensidão, já que tem ainda a parte do harém (já lá vamos) e o Museu Arqueológico de Istambul. Tudo faz parte do mesmo complexo.
Poucos projetos humanos me deixam boquiaberto. Este é um deles. Está ao nível desta Istambul que me fez ajoelhar. Virar seu incondicional devoto..

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?