Elif Burgaz

Médio Oriente Turquia

O seu sorriso ilumina a noite, quando se dirige a mim. Não se trata apenas de sublime beleza, mas um brilho feito de atitude, personalidade e simplicidade. Elif é a minha anfitriã na derradeira refeição em Istambul. Sai do restaurante/bar onde combinamos encontrar-nos e o seu “Ruiiii” logo me cativa. Entramos.
É pianista e compositora. E está com mais duas amigas turcas, que fizeram Erasmus em… Vila Real. Completa o grupo um nova-iorquino que há dois anos fez Istambul-Cabo da Roca. Em bicicleta. “Adorei o Porto e volto em agosto. Espero encontrar-te”, diz-me Nicky Pallas. Sim, apesar do nome, é homem. E, neste momento, tem seis couchsurfers portugueses em sua casa, durante uma semana.
Asli e Samira recordam Portugal com saudade e carinho. Falam-me de todos os lugares por onde andaram. Elogiam a gastronomia. As pessoas. O país em geral. Prometem voltar.
Elif também já andou pela Lusitânia. E, como o Mundo é bem pequeno, foi recebida pela minha querida Judite. Afinal, o planeta é mesmo minúsculo.
A mesa vai-se enchendo de amigos que vêm e vão. Um corrupio de gente simpática e aberta. Mantemo-nos os seis. Até que começa a ficar tarde. Esqueci de referir que estou em Kadikay, na parte asiática. E já perdi o último ferry de regresso ao Velho Continente.
Elif desafia-me para uma caminhada para me mostrar os encantos deste lado menos conhecido de Istambul. Começa a chover. E não é pouco. Planos frustrados. Invertemos marcha rumo ao mar de Marmara. A conversa flui com a naturalidade de cúmplices de anos.
É tarde e chove, mas as esplanadas continuam com milhares nas ruas. A uma quinta-feira. Um ambiente mais próprio de concorrida cidade balnear. Istambul não para de me surpreender.
Deixa-me junto a táxi coletivo que me levará à famosa Praça Taksim, palco para todos os protestos contra o regime alegadamente democrático de Erdogan. Tiramos uma foto para selar o momento e para mostrar à Judite.
Estou apaixonado por Istambul. Prometo-lhe que voltarei este ano. Antes de junho, quando Elif deixar o seu atual Mundo para divagar um ano pela Ásia….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?