Josef Stalin

Geórgia Médio Oriente

Cinco euros dão acesso ao museu do antigo ditador soviético (1922 a1953), à sua casa natal e carruagem de comboio privada. Só a esbelta diretora da instituição fala inglês. Esboça esforçada simpatia, que termina quando prescindimos de guia: pelos vistos, ela própria. Desaparece…
Basta entrar na primeira sala para perceber que faltam as óbvias explicações em inglês. Tirando as curtas referências das fotos, não há uma palavra inteligível para quem se tenha esquecido de aprender na escola o russo ou georgiano (que falha, a nossa), língua que prevaleceu apesar da russificação da União Soviética: um traço significativo deste pais. Assim sendo, os primeiros comentários vão para o estilo do jovem Estaline. “Até hoje em dia era um ‘pão’. Estilo e carisma”, ouço, em bom português.
A rebeldia que o levou a ser expulso do seminário, os seus pensamentos e retórica que arrastaram a nação consigo também são retratados. Somente não totalmente esclarecidos. Incompreensível a ausência do inglês em museu desta natureza. Complacente privilégio ao inimigo (anexação da Ossétia do sul e Abkhazia), quando estão longe de ser os melhores amigos. Em 2008, Gori foi bombardeada pelos vizinhos do Norte…
Sob a liderança de Estaline, a União Soviética desempenhou um papel decisivo na derrota da Alemanha nazi na Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945) e assim atingiu o estatuto de superpotência. Após a rápida industrialização e supostas melhorias nas condições sociais do povo soviético, durante esse período, o país também expandiu o seu território para um tamanho semelhante ao do antigo Império Russo.
Vemos o seu percurso de vida pessoal e politica, a glorificação dos seus ‘feitos’, a admiração de outros povos. Uma eloquente carta de épicos elogios de um grupo de freiras francesas balança entre o incrédulo e o ridículo. Mas eram outros tempos. E todos sabemos que são os vencedores quem (re)escreve a história.A sua carruagem pessoal é sóbria. O camarada Estaline não parece dado a luxos. Tem quartos modestos, cozinha básica, estreitas instalações sanitárias e uma zona de convívio/reuniões. O império era grande e era mais rápido, seguro e confortável viajar de comboio.
A casa onde nasceu foi, por sua própria e expressa ordem, ‘embrulhada’ num monumento superior que a protege. Fica mais imune às intempéries, enquanto ganha outra dimensão (é realmente pequena e simples, e isso não fará jus a um verdadeiro líder). Temos dois metros quadrados de espaço para apreciar e… Acabou.
A 24 de junho de 2010, uma das últimas estátuas de Estaline na antiga União Soviética, que estava localizada em frente ao edifício da autarquia, foi derrubada. Contudo, a assembleia municipal votou a 20 de dezembro de 2012 para se reerguer o monumento.Quanto a nos, missão cumprida. Espera-nos o desafio de chegar, hoje mesmo, a Kutaisi, onde nem tudo seria perfeito….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?