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KUTAISI, ERRO DE CASTING

Geórgia Médio Oriente

Garantem-nos que hoje já não há mais Mashkutas para Kutaisi. Insistimos na procura. Talvez tenham razão. Elas passam e param na autoestrada. Apanhamos táxi. Na suposta paragem, os dois taxistas fazem-nos proposta. Números indecentes. Saímos das viaturas e logo aparece moderna ‘van’. Por um quarto do valor (3 euros) pedido (12), vamos melhor instalados e mais rápidos.
Estranho jogo de luzes – discoteca ambulante – pára, nos escuros túneis, impressionar as nossas donzelas. Não foram bem-sucedidos. Entram em sonora discussão. Minutos depois, só sorrisos.Não é fácil encontrar o apartamento do hostel onde ficaremos. Safamo-nos na mesma. Pena tão pouca gente falar inglês. Apartamento amplo, novo e… Horrivelmente mobilado. Um clássico do mais puro… Enfim, a excelência do supremo mau gosto. Basta resumir assim.Delicadíssimos, logo nos veem pedir o dinheiro. Uma jovem atraente – a roçar o profissional – com telemóvel e alguém me explica tudo do outro lado da linha.Já no piso de baixo, com toda a família reunida, a intenção de prescindir da segunda noite não é bem recebida. Gritos, insultos (não preciso conhecer a língua para os adivinhar), teatralidade despropositada que fazem com que não haja dúvidas: saímos na manhã seguinte. Não foi no momento, pois o vil metal já estava em ‘boas’ mãos. Toda a conversa mediada pela mesma criatura ao telemóvel. Funcionária fora do seu horário. Deu dó. E lamento, apenas por ela.Mais tarde, surpreso com o booking. A distinta família de Kutaisi diz que não aparecemos e quer cobrar-se das duas noites. Ou seja, ficamos uma e recebem três. Haja despudor e imaginação.Saímos para jantar. Perder-nos na parte velha. Não parece tão bela quanto tinha lido.Jovem de 16 anos feliz por poder treinar o seu inglês. Fala com o patrão que o deixa sair do restaurante e vir connosco. Será nosso guia. O seu evidente entusiasmo esbarra com a nossa fome e o roteiro é alterado. Acabaremos em mais uma divina surpresa da cativante Geórgia. Um espaço teatral com musica e ambiente envolventes e serviço mais do que lento. Irrelevante. Estamos a desfrutar….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?