Aprofundar Tbilisi

Geórgia Médio Oriente

A saudosa casa do século XIX na qual pernoitamos na chegada à Geórgia está lotada. Há muito sabia que não podia repetir a fantástica experiência das duas noites de estreia no país. Compensamos com estadia mais central e confortável, juntinho à avenida Rustaveli.
Recordamos os seus passos. Os museus, a ópera, as impotentes instituições do estado. O trafego de assassinos em potência. Depois acompanhamos o rio em direção ao teleférico de 740 metros que nos transporta à altiva fortaleza de Narikala, erigida no século IV. Como apenas funciona a parte das 11:00, aproveitamos para visitar a igreja Metheki, um dos ex-líbris da cidade. O seu líder espiritual está no jardim adjacente. Vai falando ao telemóvel. Nos intervalos, ouve, com aparente enfado, as dúvidas e desabafos dos fiéis. Não lhe gabo a sorte. Terá direito ao descanso e paz que, decididamente, não lhe dão. Uma e outra pessoa entregam-lhe dinheiro. Age de forma superior. Como se não fosse mais do que a sua obrigação.
Ao lado, o rei Vakhtang Gorgasali vigia a cidade. A estátua parece manter a parte velha de Tbilisi em sentido. Bom, já podemos subir e não perdemos tempo. A vista é, realmente, fabulosa. O teleférico faz parte da rede de transportes públicos da capital e, por isso, tem custo irrisório. Andará pelos 50 cêntimos.
Começamos a ver tudo em perspetiva cada vez mais cativante. A cidade velha e os contrastes com as modernas obras do progresso. Ou da vaidade dos multimilionários e demais políticos que têm cirandado pelo poder na Geórgia.
Tbilisi espraia-se aos nossos pés. A vista é imperdível, em Narikala, de onde se acede ao jardim botânico. É também aqui que está a estátua da elegante Kartlis Deda, símbolo da cidade. Uma imponente obra metálica da atrativa “mãe” de Tbilisi, trajada em sóbrio estilo patriótico. 20 metros de figura de alumínio que em 1958 foi aqui colocada para celebrar os 1.500 anos da cidade. Simboliza o carácter georgiano: numa mão uma taça de vinho para quem vem como amigo, na outra uma espada de aviso aos inimigos.
Os banhos de enxofre ficarão para analisar numa outra oportunidade. Demasiado dinheiro para o proveito que interessa investigar com maior detalhe.
A peculiar torre do teatro de marionetas Rezo Gabriadze prende a atenção de todos. Não somos exceção. Cativa-nos ao ponto de voltarmos para a experienciar convenientemente. Regressarei ao tema, oportunamente. O mesmo apetite pelo museu de arte moderna e o de história nacional. A seu tempo….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?