Histórica Mtskheta

Geórgia Médio Oriente

Entre os rios Aragvi e Kura fica encostada a bela Mtskheta, uma das cidades mais emblemáticas do país. Não tem mais de 20.000 habitantes, mas é uma das mais antigas e já foi mesmo capital da Geórgia, até ao século VI, altura em que Tbilisi, com melhores condições de defesa, foi eleita.
Estamos de regresso da Georgia Military Highway e nada como passar o fim de tarde neste pequeno paraíso histórico, a parcos 20 quilómetros de Tbilisi.
Cedo percebemos porque é Património da Humanidade, declarado pela UNESCO em 1994. Sobram-lhe obras de referência, geralmente em excelente estado de conservação, e tem peso histórico e simbólico, sendo ainda a capital religiosa do país. Mesmo quando a capital foi transferida para Tbilisi, era em Mtskheta que os reis eram coroados.
Há um grupo de igrejas antigas que são fantástico exemplo de arquitetura religiosa medieval do Cáucaso, com alto nível artístico. O mosteiro ortodoxo de Jvari vigia a cidade desde uma colina adjacente.
Detemo-nos na catedral de Svetitskhoveli, igualmente ortodoxa. É a principal igreja do país. É a segunda maior do país, mas ganha na adoração e respeito dos fiéis. É conhecida por ser o local de enterro das vestes de Cristo.
O edifício original foi construído no século IV. Foi sofrendo alterações e melhorias, até ser danificada por árabes, persas e, mais tarde, pelos soviéticos. Foi restaurado em 1970. E o nosso olhar beneficia disso.
É dia de celebração. Há casamentos a colorir o espaço. E confissões. Primeiro, os homens. Depois, as mulheres. Não será apenas a igreja católica a precisar de um peeling. Detenho-me nos frescos…
As nossas donzelas são obrigadas a usar uma túnica de lilases. Protege cabelo e pernas. Eu, de calções, junto-me à festa. O angulo das fotos que lhes tiro não será o melhor, defendem. Pelo respeito devido, a imagem de divas ortodoxas ficará apenas na vossa imaginação….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?