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“Perder-nos” em Yerevan

Arménia Médio Oriente

Basicamente, temos um dia para descobrir Yerevan. Não será o tempo ideal, porém a Arménia “real”, em zonas rurais, interessa mais. Seja como for, há oportunidade para apreciar as virtudes da cidade e os encantos do campo. Começamos?
S. Pedro prometia chuva, não cumpriu. O sol desperta-nos com bom humor. Nada como fazer-lhe a vontade e vaguear pela capital que tem como quadro de fundo o imponente Ararat, o tal monte onde a Arca de Noé encalhou. E que durante o genocídio de há um século a Turquia se apossou.
O centro da cidade é assinalado em parque em losango onde se distingue a imponente ópera. Apreciamos a sua arquitetura. Teremos a oportunidade de conhecer as suas entranhas. Esta zona verde tem cafés e um lago. Há quem se espreguice ao sol numa das várias esplanadas. Os felizardos estão por todo o lado. É precoce fazermos o mesmo. Ainda agora abandonamos os lençóis.
Procuramos a Cascade – longo complexo com trabalhos de alguns dos mais famosos escultores do planeta – mas acabamos na biblioteca nacional. Que, infelizmente, está fechada. Tem coleção de livros minúsculos… e o “gigante” oposto. Terá de ficar para uma próxima.
Quando corrigimos a trajetória, descobrimos uma “Lello” em ponto pequeno. Uma livraria de obras em segunda mão de beleza extraordinária. Teto e móveis trabalhados com motivos que nos são estranhos. Harry Potter podia muito bem ter sido inspirado (também) neste local.
Seguidamente, encalhamos em loja de vinhos. Abriu há duas semanas e garantem-nos que os portugueses já esgotaram. Dão-nos a provar umas pastilhas de fruta tipicamente arménias. Bem como vinho e brandy locais. Já mencionei os chocolates com recheio de figo, amêndoas, nozes e outros apetecíveis frutos secos?
A promotora do projeto – com a sua irmã – é de simpatia extrema. Já nos dá dicas para o resto do país, enquanto nos serve provas disto e daquilo. Acabará por deixar o trabalho com a sua ajudante e oferece-se para nos levar ao museu do genocídio, que desejamos ver.
No autocarro arrancamos sorrisos com “selfies”. Pena ninguém se arriscar com o inglês. Caminhamos já no meio da natureza quando descobrimos que, definitivamente, este não é o nosso dia. Museu fechado. Ainda assim, veremos a obra arquitetónica que lembra essa página bem negra da história do país.
Caminharemos junto ao estádio nacional e voltamos à central Mesrop Mashtots, a avenida que cruza a cidade. Entramos em complexo iraniano. Amplo jardim rodeado de pequenas lojas. E não falta a “trabalhada” mesquita. Avançaremos para almoço bem tardio. Na verdade, até a hora do lanche já está a passar. A nossa improvisada guia leva-nos a restaurante de negócios. Não é o estilo que procuramos, mas está a dar o seu melhor. Provaremos distintas iguarias. Estamos a ganhar energias para o espetáculo….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?