Tags:

Cascade & Jantar Ventoso

Arménia Médio Oriente

A infindável escadaria parece levar-nos ao céu. Falso alarme. Conduz-nos apenas a bem estimulantes obras de arte. Oriundas dos mais diversos cantos do Mundo. Saídas do génio de distintos e afamados criadores.
A obra idealizada por Jim Torosyan começou em 1971 e apenas nove anos depois foi concluída. Cada andar é uma surpresa. Estamos atrasados e famintos, nem por isso conseguimos parar de subir. Há um museu de arte nas entranhas da Cascade, porem fechado. A esta hora até os restaurantes já suplicam pelo encerramento. Até ao dia seguinte.
Há fontes e esculturas. E um colorido catavento que arrebata o meu peito. A cada nível que subimos melhoramos a visão para o centro de Yerevan. As luzes são perfume da noite da capital. Ao fundo, o Monte Ararat. Que nas trevas não se anuncia. De dia… insufla com todo o seu misticismo…
Congratulo-me por ver uma peça de Botero neste museu ao ar livre. Sempre inspirador recordar a Colômbia e a sua gente. Esta descoberta abre alas ao apetite. O estomago não dá tréguas. Nem o horário.
É uma zona arborizada em torno de um regato. De cima, de uma ponte que vai dar à artéria principal de Yerevan, tudo parece opaco e pouco agradável. Na verdade, nem parece haver nada de nada lá em baixo. À noite, apenas perigo. Talvez drogas. Puro engano. Sobejam restaurantes. Há várias opções e todas com estilo. Nunca imaginei que esta zona poderia albergar vida. E qualidade.
Experimentamos novos vinhos. Enfrentamos distintos desafios gastronómicos. Continuamos a espicaçar o bom senso. Desta vez, embalados por um vento assertivo e cortante. E um urso enjaulado a uma vintena de metros. Não entendo e repugna-me esta loucura ou estratégia comercial. Só no fim do repasto sabemos da “novidade” animal.
Caminhar pela estrada de volta ao centro é impensável. O táxi demora. Decidimos começar a digestão. A subida de enorme escadaria revela-se tao violenta que quase se justificava novo jantar.
Agora sim, precisamos de boleia. O taxista grunhe por levar cinco. No fim, tenta adulterar o preço. Fica a falar sozinho. A noite vai adiantada. E o resto da Arménia espera por nós….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?