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Wings of Tatev

Arménia Médio Oriente

Voar é sonho dos primórdios da Humanidade. Não fujo à regra. Não o poder fazer com armas brancas, explosivos ou outro material pirotécnico é uma chatice. Ou com roupa inapropriada. Pois… confusos? Eu explico.
Wings of Tatev está no livro Guiness dos recordes do Mundo. É o maior teleférico com esta e aquela particularidade, xpto, bla bla bla.
Resumindo, são 5,7 quilómetros. Feitos a 37 km/hora. O que dá uns 10 minutos a sobrevoar a natureza. Chegamos a estar a 320 metros acima do solo. Dá para ter uma bela ideia da paisagem, acreditem.
Acho genuína piada a todas as proibições. O bom senso, afastaria todas as explícitas advertências. Sim, não estou a pensar ir nu para a cabine de 25 passageiros. Esta vou cumprir. Também não me ocorreu levar armas, químicos ou material radioativo. Não dá jeito. Não tenho onde os pousar enquanto estou entretido a tirar fotos.
Seremos os primeiros a entrar na cabine. E com isso ganhamos o direito de ir com o nariz colado na parte da frente. Saborearemos o melhor deste luxo de 13 milhões de euros em fundos privados que está operacional desde 2010. A paisagem ajoelha-se perante nós. Senhores deste Mundo, num camarote de luxo.
Esta linha liga a aldeia de Halidzor ao mosteiro de Tatev, um dos mais importantes complexos religiosos do país. Do século IX. É uma sensação assaz interessante começar a vê-lo no horizonte. E toda a aproximação. A verdade é que, ainda assim, a paisagem é fenomenal e o mosteiro vai ter de esperar. Só quando se torna inevitável é que capta toda a minha atenção.
Chegamos. Passamos por idosas vendedoras de doces e outras comidas típicas. Prometemos uma paragem no regresso. E avançamos na exploração. Mais uma obra soberba da arte arménia. Recuperada com algum esmero. Pelo menos, sem alguns óbvios erros de casting de outro património histórico do país.
Foi importante centro económico, politico, espiritual e cultural do país. Há uns 500 anos albergou uma das mais importantes universidades medievais da região, contribuindo consideravelmente para o avanço da ciência, religião e filosofia. Reprodução de livros e desenvolvimento de pinturas em miniatura. Mais uma vez, está no meio de nada. Em lugar recôndito. Junto a falésia em alta montanha.
Quando o abandonamos, as donzelas perdem-se em flores que são vendidas por dois jovens na pré-adolescência. Eu deixo-me seduzir por idosa que me vende um pão cheio de couves. Tudo cozinhado. E o sabor até é tragável.
Sabem, compramos ida e volta. Está na hora….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?