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NAGORNO-KARABAKH

Médio Oriente Nagorno-Karabakh

Em tema tão sensível, nada como usar o Wikipedia. Em estado “bruto”: português do Brasil.
Nagorno Karabakh faz parte, de jure, do Azerbaijão, porém é governada wikipedia.org/wiki/De_facto”>de facto pela República do Nagorno-Karabakh, que não tem reconhecimento internacional. Desde o fim da Guerra do Nagorno-Karabakh, em 1994, representantes dos governos da Armênia e do Azerbaijão vêm mantendo negociações de paz, mediadas pelo Grupo de Minsk, acerca do status em disputa da região.

ERA SOVIÉTICA

O atual conflito pelo Nagorno-Karabakh tem suas raízes nas decisões tomadas por Josef Stalin e o Bureau do Cáucaso (Kavburo) durante a sovietização da Transcaucásia; o órgão estava sob o controle do próprio Stalin, Comissário de Nacionalidades (Narkomnats) em exercício na União Soviética do início da década de 1920. Após a Revolução Russa de 1917, o Karabakh se tornou parte da República Democrática Federativa Transcaucásica, porém logo foi desmembrada em Estados separados armênios, azeris e georgianos. Nos próximos dois anos (1918-1920) uma série de pequenas guerras entre a Armênia o Azerbaijão foram travadas, envolvendo diferentes regiões, incluindo o Karabakh. Em julho de 1918 a Primeira Assembleia Armênia do Nagorno-Karabakh declarou a autonomia da região, e criou um Conselho Nacional e estabeleceu um governo local.[56] Como consequência, tropas otomanas entraram no Karabakh e enfrentaram a resistência armada dos armênios.
Após a derrota do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial, tropas britânicas ocuparam o Karabakh. O comando britânico confirmou provisoriamente Khosrov bey Sultanov, indicado pelo governo azeri, como governador-geral de Karabakh e Zangezur, aguardando uma decisão final da Conferência de Paz de Paris,[57] numa decisão que sofreu oposição ferrenha dos armênios do Karabakh. Em fevereiro de 1920 o Conselho Nacional do Karabakh concordou preliminarmente à jurisdicação azeri, enquanto os armênios da região continuaram a manter a guerrilha, sem aceitar o acordo.[43] [56] O acordo acabou sendo anulado pela Nona Assembleia Karabagh, que declarou a união com a Armênia em abril.[43] [56] [58]
Em abril de 1920, enquanto o exército azeri estava preso no Karabakh lutando contra as forças locais armênias, o próprio Azerbaijão foi tomado pelos bolcheviques;[43] na sequência, as áreas disputadas de Karabakh, Zangezur e Nakhchivan passaram para o controle dos armênios. Durante julho e agosto, no entanto, o Exército Vermelho passou a ocupar estas regiões. Em 10 de agosto do mesmo ano a Armênia assinou um acordo preliminar com os bolcheviques, que concordava com uma ocupação temporária bolchevique das áreas até que um acordo final fosse atingido.[59] No ano seguinte a Armênia e a Geórgia também foram tomadas pelos bolcheviques que, para conseguir o apoio público, prometeram passar o Karabakh para a Armênia, juntamente com Nakhchivan e Zangezur. A União Soviética, no entanto, também tinha planos a respeito da Turquia, na esperança que ela acabasse se desenvolvendo ao longo das linhas comunistas; forçada a satisfazer os turcos, os soviéticos concordaram com uma divisão na qual o Zangezur permanecia sob o domínio armênio, enquanto Karabakh e Nakhchivan passaram para o controle do Azerbaijão.[60] Como resultado, estabeleceu-se o Oblast Autônomo do Nagorno-Karabakh, dentro da RSS Azeri, em 7 de julho de 1923.
Com a União Soviética mantendo um firme controle na região, o conflito arrefeceu por diversas décadas. Somente com o início da dissolução da URSS, no fim da década de 1980 e início da década seguinte, é que a questão do Nagorno-Karabakh voltou à tona. A população de maioria armênia acusou o governo da República Socialista Soviética Azeri de conduzir uma “azerificação” forçada da região, e, com apoio ideológico e material da República Socialista Soviética Armênia, começou um movimento para assimilar o óblast autônomo.

GUERRA E INDEPENDÊNCIA

Um T-72 armênio restaurado, retirado de circulação enquanto atacava posições azeris em Askeran, serve como um memorial de guerra na periferia de Stepanakert.
Em 22 de fevereiro de 1988 ocorreu o primeiro confronto direto do conflito, quando um grande grupo de azeris marchou de Agdam contra a população armênia de Askeran, “espalhando a destruição no caminho”. O confronto entre os azeris e a polícia nos arredores de Askeran acabou se transformando nos enfrentamentos de Askeran, que deixaram dois azeris mortos, um deles supostamente morto por um policial azeri, bem como um saldo de 50 armênios e um número desconhecido de azeris feridos.[61] [62] Grandes quantidades de refugiados abandonaram a Armênia e o Azerbaijão à medida que se iniciou a violência contra as populações minoritárias em cada um dos dois países.[63] No outono de 1989 o conflito entre as etnias se intensificou dentro e ao redor do Nagorno-Karabakh, levando a União Soviética a conceder as autoridades azeris maior poder para controlar a região. Em 29 de novembro do mesmo ano o governo direto soviético no Nagorno-Karabakh foi encerrado, e a região retornou oficialmente à administração azeri.[64] A política soviética, no entanto, teve o efeito contrário ao esperado quando, depois de uma sessão conjunta do Soviete Supremo Armênio e do Conselho Nacional, o órgão legislativo do Nagorno-Karabakh proclamou a unificação da região com a Armênia.
Em 10 de dezembro de 1991, num referendo boicotado pelos azeris locais,[62] os armênios do Nagorno-Karabakh aprovaram a criação de um Estado independente. Uma proposta soviética que previa um aumento de autonomia para a região dentro do Azerbaijão não satisfez nenhum dos lados, e uma guerra total acabou irrompendo entre o Azerbaijão e o Nagorno-Karabakh, apoiado pela Armênia.[65] [66] [67] [68] .
A disputa pelo Nagorno-Karabakh se intensificou depois que tanto a Armênia quanto o Azerbaijão conseguiram independência da União Soviética, em 1991. No vácuo de poder pós-soviético, as ações militares entre os dois países foram influenciados fortemente pelas forças armadas russas. As tropas de ambos os países empregaram um grande número de mercenários da Ucrânia e da Rússia,[69] e até mil mujahidin afegães participaram no combate pelo lado azeri, juntamente com chechenos.[62] Muitos dos sobreviventes do lado azeri refugiaram-se nos doze campos de emergência montados em outras partes do Azerbaijão para lidar com o número crescente de pessoas desalojadas devido ao conflito.[70] .
Fronteiras finais do conflito, depois que o cessar-fogo de 1994 foi assinado. As forças armênias do Nagorno-Karabakh controlam atualmente 9% do território do Azerbaijão fora do Oblast Autônomo de Nagorno Karabakh,[62] e tropas azeris controlam Shahumian e as partes orientais de Martakert e Martuni.
No fim de 1993 o conflito já havia provocado milhares de vítimas, e criado centenas de milhares de refugiados em ambos os lados. Em maio de 1994 os armênios dominavam cerca de 14% do território do Azerbaijão; a esta altura o governo deste país decidiu, pela primeira vez no conflito, reconhecer o Nagorno-Karabakh como uma terceira força envolvida no conflito, e iniciar negociações diretas com as autoridades carabaques.[43] Como resultado destes esforços, um cessar-fogo não-oficial foi estabelecido em 12 de maio daquele ano, com negociações comandadas pelos russos.

CONTINUAÇÃO DA VIOLÊNCIA (1994 – atualidade)

Apesar do cessar-fogo, as baixas provocadas por conflitos armados entre soldados armênios e azeris continuaram.[71] Em agosto de 2008 os Estados Unidos, França e Rússia (membros do Grupo de Minsk) começaram a tentar negociar um fim ao conflito, propondo um referendo sobre o status da região, que culminou com a viagem do presidente azeri, Ilham Aliyev, e do seu equivalente armênio, Serj Sarkisian, até Moscou, para negociações de paz mediadas pelo presidente russo Dmitri Medvedev em 2 de novembro de 2008. A rodada de negociações terminou com um acordo, assinado pelos três presidentes, que estabeleceu novas discussões para um acordo político do problema do Nagorno-Karabakh

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Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?