Bye Bye Dilijan

Arménia Médio Oriente

Deixar Dilijan seria começar a desligar desta viagem. Seria. Estamos de regresso a Tbilisi, mas vemos esta jornada com o entusiasmo de irmos para um lugar estimulante, não como mais um passo para o fim. Aliás, o espírito é sempre esse. Para mim, voltar ao Porto é fantástico. Porque é uma viagem para uma cidade do mais cativante, na qual até tenho casa. E na qual posso partir, sempre que quero e posso, para o próximo desafio.
Após o faustoso pequeno-almoço em lugar de eleição e as cordiais despidas do “nosso” cirurgião, ainda aproveitamos as ultimas horas com viatura própria. Dirigimo-nos uns quilómetros a norte para novo complexo de mosteiros.
Nestas paragens, a religião exige sempre esforço. Vale a fé motivada por paisagens deslumbrantes. Neste caso, de verdes luxuriantes que competem entre si para o título de mais envolvente, revigorante.
Sem tempo para fazer um trilho pedonal de seis horas, ficamo-nos pelas ruínas recuperadas. Haghartsin ou Goshavank eram os complexos em mente, porém o nosso anfitrião logo nos avisa que temos demasiada má estrada para tão pouco tempo. Desencoraja-nos definitivamente a optar por estes Património Mundial da UNESCO. Matosavank será. E foi muito bem. Não há forma de nos cansarmos dos sempre surpreendentes mosteiros da Arménia. Um desafio permanente ao bom gosto dos lugares e arquitetura em si mesma.
A entrega do carro era às 12:00. Só hora e meia depois aparecem. Justificam-se com o trafego desde Yerevan. Se fosse ao contrário, não haveria desculpa que nos valesse de pagar um dia extra. Enquanto esperamos, exploramos carcomido autocarro…
O taxista entretanto contratado para nos levar a Tbilisi, cruzando a fronteira, vai fumegando a cada minuto que passa. Vamos oferecendo comida, para o serenar. Recusa, amavelmente. E é com esse espírito que fazemos a viagem. Em permanente comunicação. Exprime-se em razoável inglês.
Temos montanhas e mais verdes. Histórias da guerra com o Azerbaijão. Os snipers femininos do outro lado da fronteira. “Para não atirarmos sobre mulheres. Jogo sujo”, lamenta o taxista. Que relata várias histórias dos horrores vividos. E de como amigas aldeias fronteiriças viraram definitivamente as costas.
Temos prados imensos floridos numa incrível paleta de cores. Impossível resistir a parar. Passam por nós carros em festa. Talvez casamento. Apreciamos as vistas. Para um lado, frondosa montanha. Para o outro, depressão até a um lago… já Azerbaijão.
Enchemos o tanque de gás. Passaremos a fronteira no futuro 2020 (lá iremos…) e tudo muda de volta à Geórgia. O taxista arménio acelera e assume os mesmos vícios na condução dos seus vizinhos. Faz exatamente o que criticara antes de cruzarmos a fronteira.
Chegaremos a Tbilisi à hora estipulada. A última coisa a correr bem….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?