Desperadamente procurando um teto…

Geórgia Médio Oriente

O taxi deixa-nos a 200 metros do hotel, o único de **** em que nos instalamos neste périplo. Um luxo que nos fez bem e com o qual nos vamos mimar na última noite na Geórgia. Uma semana antes, quando me despedi, disse a duas rececionistas que voltaremos HOJE. Pergunto se devo providenciar tudo no booking.com, dizem-me ser desnecessário. “Trataremos da reserva”. Sossegam-me.
O desassossego chega-me em sopro direto ao inconsciente. Ainda em Dilijan. Envio email a relembrar que chegaremos no dia seguinte… respondem-me com o inesperado. “Estamos cheios. Lamentamos, mas não temos registada a sua reserva. Confie em nós. Caso não haja desistência alguma, providenciaremos alternativa. Diga-nos o que pretende”.
Não quero acreditar. Mesmo assim, confio. Costumo dar-me bem com o acaso. E é com essa esperança – e as bagagens – em riste que regresso, sorridente, ao Rustaveli Palace. A realidade logo serena a pose triunfal.
Aliás, neste caso, até pode ser mais dura do que o esperado. Sem desistências, trataram de encontrar uma opção. Just one… Tinha pedido mais perto da Freedom Square e ao mesmo preço. Arranjam mais caro e… em direção à periferia. Um apartamento mais antigo do que os progenitores de Cristo e com claro mau aspeto.
Percebem a minha perplexidade. Torço demasiado o nariz à sugestão. Educadamente, faço-os ver que, para “isto”, eu próprio teria tomado conta do assunto. Com melhores resultados.
O gerente do hotel fica alerta e logo se mobiliza para uma outra opção. Também nós. Agora, já no jardim interior do Rustaveli, aproveitando o seu wifi.
Já só restando preços absurdos no booking.com, e com nova inapropriada alternativa oferecida pelo gerente, atiro-me ao www.hostelworld.com. Seguiremos para o mais bem classificado de 2013 em Tbilisi. A ausência de fotos – excetuando uma da sala de convívio e o símbolo do prémio – não instiga qualquer desconfiança. Mochila de volta às costas e caminhada de 30 minutos.
O aspeto exterior está longe de cativante. O interior… bom, antes mesmo da Isabel torcer o nariz, o que foi num ápice, já eu pensava no próximo passo. Desnecessário aprofundar a conversa. Apenas peço um teto mais apropriado para donzelas… e cavalheiros. Sem plano B, C ou D, poderia ser o nosso palácio. Com outras letras no cardápio, preferível algo que não belisque a nossa última noite.
O plano B – excelente, diga-se – está lotado. Aí, sugerem-nos o C e D. Bilhar às três tabelas. Afinal, só temos de subir até ao fim a ingreme rua. Uma perpendicular à central Rustaveli. Ana e Sílvia estão mais sossegadas. Esperam-nos na avenida, guardando todas as mochilas. Voltaremos com solução. Afinal, serão apenas umas três a quatro horas de sono. Não é o ninho ideal, porém este grupo é imune a tudo o que possa condicionar o seu bom humor e companheirismo. Assumiram, na integra, o espírito desta primeira experiencia BornFreee. Impossível ter melhor.
É hora de jantar. E queremos que seja especial….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?