Elif & Alejandro

Médio Oriente Turquia

O dia cavalga para o fim em doce câmara lenta. Cruzamos o Mar de Marmara novamente e os tons da vida vão mudando. Tal como os da cidade. Os suaves azuis cedem lugar aos amarelos que ganham intensidade antes de se transformarem em rosas, laranjas. Por fim, a noite.
Já estamos em Kadikoy e as vistas são soberbas. Estamos ainda na fase de transição. Ao fundo, Sultanahmet em formas de um quase-negro recortadas a ouro semeado pelo astro-rei.
Não há por do sol assim. Não chega a ser natural, também não é urbano. É um misto do melhor da natureza com a mão do Homem. Sem saber, conseguimos simbioses de admirável beleza.
Elif chega em luz ainda mais ofuscante. Um sorriso ímpar nestas paragens. Vem abraçada a Alejandro, o espanhol que conquistou os seus singulares afetos. Em menos de um mês partirão para viagem sem tempo pela Ásia. Um passo que a atemoriza tanto quanto a estimula: tirando pertences pessoais, guardados em casa dos pais, em Izmir, nada restará da sua atual vida daqui a umas semanas…
Apresentações feitas, passearemos pela marginal. Conversa em dia e conhecer melhor Alejandro. Um “hermano” bacano. E que me parece à altura da minha amiga. A “tal” pianista que tocou na Praça Taksim…
http://p3.publico.pt/actualidade/politica/11046/ela-tocou-piano-na-praca-taksim-contra-um-quotregime-politico-corruptoquo
A última ceia tem sabores típicos. Não os que desejávamos, mas não importa: as esplanadas estão repletas e não há um buraco onde possamos enfiar a nossa gula.
Uma derradeira caminhada, soltam-se sorrisos. Há despedidas e desejos de feliz aventura. Estamos já apertados de tempo se ainda queremos regressar de ferry. Não tarda, deixaremos de ter opções. Contemplamos uma última vez as luzes dos vários envolventes lados da cidade. Istambul está prestes a despedir-se….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?