FRANKFURT

Alemanha Europa

Quando sei que, na melhor das hipóteses, terei três horas de sono, de qualidade além do bem duvidoso, o despertar está bem longe de ser estimulante, apesar da viagem que se vai iniciar. Perdoo-me o lado zombie boa parte do dia e tento leva-lo da melhor forma possível. Tentando, aqui e ali, um sono furtivo a tentar minorar estragos. A Joana, velha amiga dos tempos de faculdade, é a primeira conhecida. Trabalha na Lufthansa. Há muitos anos que faz o horário 04:00/08:00. Ou algo assim. “Tu é que curtes. Aproveita”…”. Tentarei não a dececionar. A caminho de Frankfurt, algures nos céus da Europa, “desligo” uns minutos. Não sei quantos. Os suficientes para ter pilhas por mais algum tempo. Aterramos suave e, minutos depois, já estamos no comboio rumo ao centro histórico de Frankfurt. 10 horas de escala é castigo imerecido. Até pelo maior dos pecadores. Embeiço-me por pedonal arvorizada plantada por artistas, que não se destacam pela qualidade. Violinista à parte, admito. Acabamos em mercado típico, ideal para um segundo pequeno-almoço. “Bratwurst mit brot”. Uma bela salsicha picante com pão. E provo de uma boa cervejinha. A imponente catedral celebra um casamento. Em italiano. Os costumes vão mudando. Até aqui. E não é só pelos numerosos restaurantes de delicioso kebab. Quando descobrimos o rio, buscamos a primeira sombra. Serão duas horas de cochilo, sob a árvore centenária. Até que decidimos atravessar a histórica ponte Eiserne Steg, sobre o rio Main. Enorme feira da Vandoma/Ladra. Tanta inutilidade à venda até desanima. Há muitos artigos em segunda mão interessantes, mas em proporção envergonhada comparando com as inúmeras inutilidades em mofentas e vãs tentativas de venda. Cruzamos novamente o rio que divide a quinta maior cidade da Alemanha: agora, vemos perfeitamente o skyline que anuncia o maior centro financeiro da Europa (sede de importantes instituições como Banco Central Europeu, do Banco Federal Alemão e da Bolsa de Valores de Frankfurt, bem como vários grandes bancos comerciais, como por exemplo o Deutsche Bank, o Commerzbank e o DZ Bank). Estatuto que Frankfurt acumula na área dos transportes aéreos. Ambos ajudarão a que, invariavelmente, esteja numa das 10 cidades de maior qualidade de vida do Mundo. Notamos isso nos preços… O antigo e tradicional Romenberg, centro histórico, vale visita e fotos. Tal como a catedral São Bartolomeu. O melhor mesmo é, quando a situação se proporcionar, deixar o aeroporto (8,5 euros ida/volta de comboio) e arejar as ideias em cidade com alguns encantos….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?