Cruzeiro em S. Petersburgo‏

Europa Rússia

Se admito ir a Roma sem ver o Papa – na verdade, sou dos poucos a ter visto dois “papas” juntos, em 2003 (private “joke”) – a verdade é que fica mais complicado ir a S. Petersburgo sem fazer um (ou vários) cruzeiros. As escolhas são múltiplas, desde o percurso ao lugar onde principiamos a aventura. Há seis rotas mais populares, cada uma revelando distintos pormenores da história e arquitetura.
A cidade está espalhada ao longo de impercetíveis 42 ilhas. Ou seja, rodeada por água, entrelaçada por rios e canais, que delimitam as distintas partes do burgo.
Mau mesmo é que poucas empresas fazem cruzeiros em inglês e nenhuma (que tenha encontrado) tem guia áudio para irmos acompanhando. E entendendo melhor. Na verdade, invariáveis reações bruscas quando perguntamos por uma companhia (concorrente) que tenha opção de inglês. Na Rússia, quem não fala outra língua que não a materna opta, estranhamente, por reação evasiva: ou brusca, ou finge que não houve, quando nos estamos a dirigir especificamente à pessoa.
O dia é de verdadeiro verão e o sol misturado com o doce roncar do motor a rasgar as águas dos vários canais dão razoável vontade de tirar uma cesta. “Sacrificamo-nos” para nos manter despertos. É um passeio fantástico, por lugares mais do que aprazíveis e em ângulos impossíveis de explorar de outra forma. Uma hora de feitiço pelo equivalente a 12 euros.
O que lamento – profundamente – foi não ter apostado num segundo cruzeiro, desta vez à noite. S. Petersburgo é cidade que enamora quando temos apenas estrelas no céu. Os edifícios iluminados dão um encanto singular. Estimulam uma ilusão que nos transporta a outros tempos: o dos Czares. Há versões de jantar a bordo, mas temo que o repasto nos distraia do essencial.
O corpo perde rigidez e vou-me soltando com olhares serenos entre a esquerda e direita da paisagem.
O Hermitage, esfinges egípcias, o forte Pedro e Paulo, o palácio e as pontes Troitsk, o jardim de verão, a igreja do sangue derramado, o monumento do cavaleiro de bronze estão entre os múltiplos lugares que podemos contemplar. A viagem é tão agradável que não apetece voltar a terra. .

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?