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Old Arbat‏

Europa Rússia

A mais famosa, uma das mais antigas e certamente uma das mais animadas ruas de Moscovo. Sim, é turística. Inevitável: há 500 anos que é zona predileta de artistas, músicos, escritores… altos dirigentes soviéticos, académicos, comerciantes… Escorre história nas suas entranhas.
Mais do que comprar – bem mais aconselhável o mercado de Izmailovsky – é zona para disfrutar: de cativantes esplanadas e da gente “bonita” que ciranda por esta pedonal de cerca de um quilómetro. O Kremlin fica a parcos 800 metros.
Há onde se coma melhor e se pague menos, mas a velha Arbat (há uma “nova”) bem que justifica um bom passeio e um jantar. Preferencialmente, em noite de verão.
O próprio poeta e romancista Alexander Pushkin – por muitos, considerado o maior poeta russo – viveu aqui. Na casa com o número 53, agora transformada em museu. O seu amigo Tolstoy (autor, entre outros, de Guerra e Paz) viveu a parcos metros, na perpendicular Kaloshin. Diz-se, aliás, que a sua famosa personagem Anna Karenina foi inspirada em Maria Gartung, a filha mais velha de Pushkin, seu vizinho.
Os escritores famosos já não andam por estas paragens, mas o ambiente boémio não se perdeu: agora, são os artistas de rua a assumir essa responsabilidade. Dos caricaturistas, aos músicos, das cartomantes aos protagonistas de diversas inconsequentes habilidades.
Quem entra na extremidade ocidental, pode apreciar a histórica e imponente torre do Ministério dos Negócios Estrangeiros, uma das chamadas Sete Irmãs promovidas por Joseph Estaline. O “charme” da era soviética.
Enamoro-me por um autocarro. Não uma “carreira” de transporte, mas um bar. Estacionado na pedonal. Com esplanada. E mesas interiores. Com constantes atuações musicais. Das melhores maneiras de usufruir a Arbat…
Há um caricaturista disfarçado de personagem de fantasia. É sentar, esperar três minutos, sorrir. Todo um personagem. No fim, o melhor da pouco visível simpatia russa. E retribuir com a contribuição que entendermos.
Uma septuagenária mostra o seu repertório musical, agarrada a cordas com a mesma idade. Tem talento. Merece ombrear com os outros que vão polvilhando a paisagem. Ao lado de estátuas de escritores, músicos, princesas, poetas, arquitetos…
Em 1812, em plena ocupação napoleónica, um incêndio praticamente destruiu tudo. A velha Arbat ainda tem traços da reconstrução. Edifícios históricos símbolo de um novo capítulo com dois séculos que vale a pena explorar….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?