Escrever com luz

Egito Médio Oriente

No BornFreee Experience II há um desafio de escrita em viagem… e duas pessoas assumiram-no. Esta é a vez de Isabel Moura entrar em ação. Brilha nas palavras com a mesma intensidade de luz das suas fotos…
Escrever com luz. Eis o significado/etimologia da palavra fotograr. Porém, o alcance é muito maior. Fotografar é captar um momento, congelar um instante, intensificar a memória. No Egito fotografar aproxima. Encurta a distância. Facilita o desarmar dos medos e apreensões, estreitando a diferença e permitindo a tão aguardada interação.Deambulo pelas ruas ávida por absorver tudo e todos, quando aquele ‘sujeito’ – e foram vários, estes dias – chama a minha atenção… o olhar prende o meu… sou implacavelmente interpelada. Tocada. Máquina em punho inevitavelmente o sujeito é focado e o dedo minuciosamente dispara e imortaliza o momento e o intenso olhar.A lembrança dentro duma caixa. Ficou gravado.Aqui, no Egito, a historia não acaba nem aqui, nem assim. Aqui a história apenas começa. O contacto foi estabelecido entre olhares firmes e genuínos. Os deles penetram em mim como uma flecha… cada olhar cruzado irá permanecer em mim. A humildade, o carinho, a bondade e a gratidão com que me presenteio enchem-me a alma. Paz. E eles ainda agradecem… o que eles nem imaginam é que quem agradece sou eu. E faço questão de lhes demonstrar, devolvendo um largo sorriso. E ainda lhes mostro o resultado do contacto estabelecido. Deliciosa reação quando se veem escritos com luz… agradecem mais ainda… Acredito que o façam porque alguém se dignou a olhar para eles. Alguém os viu no meio de milhões. Alguém lhes deu valor e importância… eu agradeço pelos poucos segundos com que me brindaram e viverei eternamente. Levo desta terra muito mais do que belas fotografias. A luz é definitivamente deles. A luz são eles…  .

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?