Pirâmides

Egito Médio Oriente

O grande ex-libris do país. A única das maravilha do Mundo antigo a poder ser apreciada pela civilização, na atualidade.  A única que resistiu. A descoberta destas moradas  eternas dos faraós já caminha para os 200 monumentos. Iremos a Gisé, mas começámos em Sakhara.
Uma hora de táxi que nos mostra já um outro Egito. Muito mais rural. Igualmente caótico. E começam as ruínas…Sakhara é um dos locais arqueológicos mais ricos do Egito. São 3000 anos de história em monumentos. Desde estruturas funerárias a mosteiros coptas. Foi a necrópole real de Mênfis, a capital do império antigo. Depois, as pirâmides foram substituídas por grutas escavadas na rocha, quando o poder mudou para Luxor e o VALE DOS REIS passou a recebe-los na vida eterna.Em Sakhara destacou-se a pirâmide escalonada de Djoser, elemento central da necrópole. Decorria o século XXVII… antes de Cristo. Inovação: deixou de ser feita em tijolo para ser erigida em pedra.  Também a novidade de ser acompanhada de amplos campos abertos, pavilhões, santuários, capelas… O privilégio de estarmos apenas nós, um inevitavelmente simpático casal argentino e uma asiática, a quem os vendedores não largam. Mais turismo chega quando abandonamos o complexo, mas simples resquícios do movimento intenso que este santuário já teve. Dará um pouco mais de trabalho lidar com os sôfregos vendedores, mas entende-se o desespero de quem tenta impingir estátuas, papiros, marcadores de leitura ou qualquer outra coisa. Que pode ser também foto ou volta em camelo. Encontro os primeiros hieróglifos. Que nos desarmam, claro. História milenar a centímetros do nariz. Irresistível toque na suavidade da ponta dos dedos. Não se pode, mas….Seguimos  para a aguardada Gisé. Aqui o turismo é outro. À míngua dos estrangeiros é compensada pelo entusiasmo dos visitantes locais. Até de escolas.Umas 100 crianças chegam para entrarem pirâmide. Há quem já avance renitente, a chorar com as mãos cravadas nos braços dos professores. Outros saem a correr segundos depois de entrarem no longo túnel descendente,  no qual não conseguem caminhar completamente erectos. Um miúdo sai sôfrego, a gritar.  “É a morte! É a morte!!”. Vai repetindo as palavras, em inglês (são alunos locais de famílias abastadas que estudam em colégio inglês) com semblante de quem regressou do além.Desilude-me o facto de não haver pinturas, representações nas paredes, como  vi em Sakhara. Caminhada até à câmara mortuária. Despida.  Os caçadores de tesouros ao longo dos milénios nada deixaram. Não permitem a entrada de máquinas fotográficas, mas, lá dentro, os guias/seguranças são os primeiros a desafiar para a foto. A troco de umas moedas. A miséria geral a isso obriga. Será um fundamental complemento de salário.Aqui também há muitas crianças a vender artefactos egípcios. Não faltam os camelos para uma voltinha ou a habitual foto. Tudo pago, claro. Afastamo-nos da pirâmide para fotoem perspetiva. E encontrámos um mercado, já mais organizado. Com os vendedores trajando a habitual persistência. Que, assimilada como natural, parte do cenário humano, começa a ser ignorada. Por fim, a Esfinge. Ali está a escultura monumental mais antiga do Mundo. Guarda as pirâmides, templos e túmulos. Há 4.500 anos… Perante o meu ávido olhar, ao vivo e a cores, uma figura que o meu  imaginário conhece desde criança… A esfinge leonina é conhecida pelos árabes como “pai do terror”. Antes que nos amaldiçoe, voltamos ao Cairo….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?