Foi você que pediu… Islamização?

Egito Médio Oriente

Oferece-nos livros. Gratuitos. Com o ABC do Islão. Para quem deseja conhecer e entender os seus fundamentos. Uma dádiva que já tinha experienciado na Mesquita Azul, em Istambul. O Islão ataca em várias frentes.
Estamos na Cidadela e há uma “jovem” que nos lança o desafio. Uma dentista que veste o Islão e dedica parte do seu tempo a espalhar a palavra de Allah (Deus). Como apenas os seus olhos nos são visíveis, prende a nossa atenção. É comunicativa. Ótimo. E está disponível para responder a todo o tipo de questões. Pena que as suas respostas sejam a cassete da praxe, ensaiada pelos homens, sempre donos e privilegiados Senhores do Islão.
Afiança que o corpo totalmente coberto a aproxima de Allah. É opção sua. Firme. Da qual muito se orgulha. Garante que a vida só faz sentido perto dele. E que, por “ELE”, nenhum esforço ou sacrifício são incomportáveis.
Respondidas as questões iniciais da curiosidade do grupo, contra-ataca. Desafia-nos a um jogo. Duas taças. Uma com cerca de uma dúzia de bolas. Cada uma das esferas do tamanho de bola de ping pong com o nome de um objetivo importante na vida. Saúde. Família. Trabalho. Amor. Amigos. Sucesso profissional. Está lá tudo. A ideia é, com a ajuda de uma colher passar cada bola para a taça ao lado. Em apenas um minuto.
Com destreza e calma que a todos impressiona, Ana cumpre a tarefa em pouco mais de meio minuto, que ninguém cronometrou. Quando vai para a última bola, a nossa interlocutora interrompe, abrupta, e diz que o tempo terminou. Impossível. TODOS ficam com sensação de batota. Vale tudo para impor a sua ideia. E logo aí perde o grupo.
“Como podem ver, não há tempo para realizarmos tudo na vida. Devemos fazer opções. Acima de tudo, entregarmo-nos a Allah e confiar nos seus planos para nós”, diz-nos. Mais palavra, menos palavra.
Há quem logo abandone a conversa. Fico um pouco mais. Sabe que sou o único do grupo completamente alheio e avesso a religião. E tenta…  Em vão. Não tenho mais tempo. Trocamos contactos de email. Haverá futuro?
Esta conversa interrompeu o percurso do nosso impaciente “guia”. Que de seguida nos leva para a mesquita Mohammed Ali, logo ao lado.
Sem que lho peçamos,  vai pelo mesmo caminho. O da devoção ao Islão. Alheia-se das suas funções. Daquelas para as quais lhe vamos pagar. Estamos sentados e descalços no interior do templo.
Diligente, abandona os dados históricos e curiosidades relativas ao lugar e passa a falar de religião. Mais do que encantar-nos com o vasto e riquíssimo espólio histórico, parece simplesmente apostado em converter-nos ao islão. A uns, dá sono. Já conheço as suas palavras (soa-me a “ladainha”) e não consigo parar de bocejar. E olhos semicerrados. A outros, provoca total desinteresse. Dispersam. Aos restantes, ímpeto de levantar e continuar a fotografar.
Recebe o dinheiro acordado… e perde a ansiada gorjeta. Continuo com profundo desinteresse pela Religião. Respeito-a. Quanto ao Islão, não ficou mais perto…  .

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?