Mercado & Museu Núbio

Egito Médio Oriente

O cemitério islâmico, qual baldio, fica para trás. Alguns locais espreguiçam-se junto a campas e estranham a nossa visita. Não será demorada.
Segue-se o Museu Núbio, mas está fechado. Ficará para mais tarde, ainda hoje. À noite é quando recebe mais gente. Com os próximos dias preenchidos com estimulantes programas, resta-nos atacar já o mercado.
Completamente virado para o turismo, está sem clientes. Nota-se o desespero nos rostos dos vendedores, que se atropelam para conseguir a nossa atenção. Basta olharmos ou tocarmos em algo para sair um preço. Que muitas vezes começa em 100 e acaba em 10. São ainda mais persistentes do que o habitual. Ainda não entenderam como funciona o espírito Europeu. Com o “marketing” certo, poderiam ser mais sorte.  
Encontramos material alusivo ao Egito. Pirâmides. Esfinges. Múmias. Papiros. Roupa. Ervas aromáticas. Também comida. Assuão já foi cruzamento privilegiado de rotas entre o Egito, India e o resto de África. Um próspero mercado no qual se negociavam artigos exóticos. Há muitos e longos anos…
Almoçamos em esplanada. E vamos sendo abordados por jovens muçulmanas, encantadas com as portuguesas. Eu e Gonçalo somos praticamente ignorados. A nossa companhia é bem diferente: requisitadas por outras mulheres e apreciadas por todos os homens. As nossas amigas estão em GRANDE. À sua altura.
Há um momento em que me preparo para o raro privilégio de posar para foto com duas muçulmanas. O dono do restaurante está atento e não aprova. Intromete-se. Fico num canto e ele, que não foi convidado, entre mim e as duas donzelas. Respeito, acima de tudo. Um esmero que eu e Gonçalo passaremos a ter sempre que um egípcios nos pedem para tirar fotos com as nossas companheiras de viagem. Com o consentimento delas, damos-lhes o mesmo tratamento. Ficam desiludidos.
Percorremos depois a marginal e apreciamos as feluccas. Não tardarão a entrar na história desta viagem, mas agora é hora de voltar ao museu Núbio. Retrata a vida deste povo entre Assuão e Cartum, no Sudão. Das primeiras povoações até à atualidade. Mostra-nos artesanato e um filme sobre o Rio Nilo e as suas cataratas. Bem como as engenhosas transferências de monumentos (de um lugar para o outro) face às barragens entretanto construídas. Evitar que ficassem submersos foi dura empreitada que envolveu vários países e instituições internacionais.
Claramente, melhor organizado do que o Museu Egípcio, em pleno Cairo. O grande centro da história do país.
No fim, exploraremos os jardins do complexo. Sob um fantástico céu estrelado. Madrugaremos, pelo que recolhemos ao hotel. Com pressa de dormir cedo, mandamos vir comida… que demora uma eternidade a chegar. Enche-nos o estomago da ilusão que invade a mente a horas de visitar um dos lugares mais fantásticos em termos de legado dos nossos antepassados….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?