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Nilo… Felucca… ÉDEN

Egito Médio Oriente

Abu Simbel foi, para mim, a melhor experiência até agora, mas acredito que estava a escassas horas de ser superada. Cansados, exaustos, exauridos… mas não o suficiente para nos retirar o ânimo para a… FELUCCAAAAAAAAAAA!!
Sim, falo da embarcação de madeira, à vela, que dá uma outra beleza e dimensão às águas do Nilo. E na qual vamos passar as próximas 24 horas. Incluindo as noturnas.
Colchões, mantas e sete portugueses devidamente instalados. A vela sobe, o vento sopra e tudo começa. As águas do Nilo rasgadas em câmara lenta. O sol afaga-nos o rosto. Com o carinho que se impõe. Finalmente, sem pressas para ir a lado algum. O tempo. Tudo parece imutável. É hora de apenas usufruir do momento. Embarcar numa viagem igual a tantas outras nos últimos séculos no Nilo…
Luxor pode ser alcançado em quatro/seis dias de feluca, mas não temos tal pretensão. O Nilo não tem beleza igual à que ostenta em Assuão, com diversas ilhas a conferir-lhe uma envolvência e feitiço únicos.
Temos a ilha Elefantina, a maior. Na qual vive o povo Núbio. E a de Kitchener, onde se destaca um jardim botânico com espécies de todo o Mundo, incluindo dos Açores.
Antes que o sol se ponha atrás das áridas colinas opostas à cidade, apreciamos o Mausoléu de Aga Khan, em encosta despida. Com esta imagem no olhar e subindo ingreme e cansativa duna, andamos um par de minutos rumo ao “nada” e encontramos o Mosteiro de S. Simeão. Em lugar ermo, é poesia no nosso horizonte, este edifício outrora habitado por 300 monges, desde o século VII. 500 anos depois, foi atacado por Saladino e seguidamente abandonado.
A outra margem do Nilo também ostenta inúmeros túmulos dos nobres, escavados nas rochas. A antiga nobreza egípcia, dos impérios antigo e novo, tem aqui a sua derradeira morada.
Fica, apenas, o lamento de não haver tempo para o Templo de Philae – culto a Isis -, que apenas vemos do outro lado da barragem, quando regressamos de Abu Simbel.
O grupo continua coeso, unido. Feliz. E cúmplice. Sentimentos que a atribulada noite vai adensar….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?