Hatshepsut

Médio Oriente

Voltar ao chão não impede a cabeça de continuar no ar. As emoções ainda estão intensas, vivas, frescas quando já estamos a se apanhados para a segunda parte do programa com que nos vamos mimar hoje.
Jogando com as benesses da privacidade, começamos com o grandioso Templo de Hatshepsut. Uma senhora que, muito resumidamente, usurpou o poder ao seu meio-irmão menor para se tornar faraó. Adotou todos os atributos correspondentes: barba postiça, títulos, nomes, cetros, tanga curta e cauda de touro. O seu governo, de uns 22 anos, correspondeu a uma era de prosperidade económica e relativo clima de paz.
O seu templo mortuário é impressionante. Obra grandiosa parcialmente talhada na rocha, que marca o fim de grande planície (do outro lado da montanha, o vale dos Reis). Diz-se que Senenmut, o arquiteto da arrojada obra, era seu amante.
Ramsés II e seus sucessores fizeram adaptações ao templo. Mais tarde, os cristãos transformaram-no em mosteiro. De tudo, sobram magníficas decorações. Relevos. Estátuas.  E os imponentes terraços.
Já referi que não há aqui ABSOLUTAMENTE mais ninguém além de nós e os parcos trabalhadores no templo, que continua a ser “descoberto” por equipas de peritos internacionais? É um privilégio poder usufruir desta grandeza na primeira fila e sem “ruído” adicional. Um monumento com “marca” na história da Humanidade… só para nós.
Usufruímos do espaço, cenário e privilégio. Registamo-lo para a posterioridade. E seguimos para o Rameseum. O templo funerário que Ramsés II mandou construir para si. Mais de 20 anos a ser erigido. Agora, praticamente um monte de ruínas. Não é dos lugares mais bem preservados.
Entre os dois templos, uma experiencia sui generis em “fábrica” de alabastro, a pedra com que fazem todo o tipo de recordações sobre o Egito. “Espetáculo” algo forçado e simpatia que se esvai quando toca a negociar algo. Um desespero dos vendedores em tons que não agradou a todos. As experiencias menos positivas – que, felizmente, fazem parte de qualquer viagem – e que realçam o valor de tudo o resto.
Este lado do Nilo ainda tem muito por explorar… e vamos a caminho do Vale os Reis….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?