Vale dos Reis

Egito Médio Oriente

Abandonadas as pirâmides, os faraós do Império Novo (a partir de 1500 AC) apostaram na escavação de túmulos nas montanhas de Tebas. A ideia era impedir o roubo dos valiosos tesouros que eram enterrados consigo. Não resultou. Evidentemente, os prevaricadores adaptam-se a qualquer desafio. A recompensa justifica toda a ousadia. O engenho da ambição há muito que supera toda e qualquer atitude defensiva…
A necrópole do Vale dos Reis junta os restos mortais de 65 faraós. O bilhete para o completo permite-nos ver apenas três. As suficientes, diga-se. Do tanto que já vimos no Egito, começa a escassear a margem para a surpresa. Embora isso não diminua o encanto de, uma e outra vez, ter “história” diante do ávido nariz…
A guia que fizemos questão de levar – vai alternando o inglês com o espanhol – aposta nos números 1, 6 e 11, que incluem os Ramsés III e IX.  “São diversificadas no estilo e assim ficam com uma ideia do que podem encontrar nas outras”, justifica.
Quase todos os túmulos foram saqueados, menos o Tutankhamon que Howard Carter descobriu em 1922. Intacto. Infelizmente, não está entre os disponíveis para visita. Não temos sorte.
Vemos corredores, camaras e salas. Decorados com relatos (em imagem) simbólicos da vida do faraó, que o acompanharão na viagem pelo Mundo dos mortos. Na vida após a morte.
Gosto de imagem em que Deusa engole o sol durante a noite e depois dá à luz um… escaravelho. Sinal de sorte, fortuna. Não há limites para o misticismo egípcio…
Na verdade, mal um faraó iniciava o seu reinado, logo ali se começava a construir o que seria a sua morada eterna. Quanto mais vivesse, maior a possibilidade de tuneis mais profundos e trabalhados. Ricos na herança que nos deixaram.
Não muito distante, temos os túmulos dos nobres, que apenas vemos no balão de ar quente. Uns 400 em colina sobre o Nilo. Igualmente com coloridas obras de arte.
Somos privilegiados. Visitamos lugares soberbos e continuamos em sentida harmonia. E não há mais turistas a chatear. Estamos de volta ao lado oriental do Nilo, a Luxor, para visitarmos um dos ex-líbris do Egito. E como nos iria impressionar….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?