Rumo a… El Gouna

Egito Médio Oriente

Não quero, mas impossível resistir. O rosto não se vira para trás, mas os olhos fixam o retrovisor. E lá estão três braços bem no alto a acenar. Uma despedida que a todos tolhe e embarga a voz. Frustrante para quem fica. Duro para quem prossegue, deixando parte da alma para trás.
A vida é isso mesmo. E outras viagens juntos se perfilam no horizonte. A velha Peugeot será agora a nossa companheira nos 350 quilómetros que nos ligam a El Gouna, a opção mais “credível” no Mar Vermelho. Uns 30 quilómetros a norte da desvirtuada Hurghada.
Sair de Luxor não é fácil. Há estradas e autoestradas interrompidas. Há forçadas inversões de marcha. Até condução em contramão, que se repetiria a chegar a El Gouna.
A paisagem é desértica. Pouco há a falar. O nosso motorista não é pródigo em inglês – na verdade, mal o entende – e, com a mesma expressão “vazia”, mas simpática, vai “voando” em direção ao destino. Pezinho pesado. Serão 350 quilómetros de táxi, porta a porta, e que vai custar 10 euros por cabeça. Acredito que isto não seria assim há um par de anos, antes da queda de Mubarak. E do inapropriado medo dos turistas quanto ao Egito.
Deserto à esquerda. O mesmo do lado oposto. Estrada boa, com algumas exceções. Sem sinal de verde. Asfalto. Deserto. E sol radioso. Uma paragem técnica para almoço. Em “estação de serviço” claramente turística. Embora sejamos os únicos aqui. O habitual engano na conta, prontamente corrigido à nossa observação. Chama-nos a atenção o sinal do WC. Um boneco luminoso, masculino, e a urina a deslocar-se, em luz “móvel”, em direção ao pobre mictório. Divino.
As horas passam e a luz esvai-se. Quando chegamos à costa, já a lua impera em céu cristalino. Chegaremos a El Gouna a tempo de jantar.
À entrada da cidade/empreendimento, ficamos a entender que estamos a entrar num outro país. A segurança é bem reforçada e não entra quem quer. Aqui dentro, temos um outro Egito. Múltiplos pequenos hotéis de charme, jardins, praias recortadas ao sabor da estética humana. Nem um papel no chão. Acabou o delicioso “caos”. Também vai saber bem….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?