Regresso ao Cairo

Egito Médio Oriente

Comprar bilhete de comboio em estações grandes e confusas é um dos mais deliciosos stresses de viagem em destinos mais… exóticos. Enquanto os meus companheiros de viagem Bornfreee se deliciam com cafezinho e bolinho, trato de ser expedito para conseguir os bilhetes. Acabam por me indicar que posso comprar no comboio. Ou seja, mais uma vez, em plena viagem, forçados a mudar de lugar, pois outros passageiros tinham “poiso” certo. O mais incompreensível? Novamente, pagamos uns troquitos a menos do que o bilhete previamente comprado. Insignificantes, mas significativo. Sem explicação.
A viagem rumo ao Cairo traz-nos novas imagens de ruralidade. Pobreza e subdesenvolvimento. E lembranças que ficarão em registo mental. Entretanto, a paisagem ganha alguma ordem – ainda que pouca – entramos nos subúrbios da capital e rapidamente estamos na estação central, já nossa bem conhecida. O taxi para o hotel será o mais rafeiro no qual viajaremos no Egito.
Instalados, adivinham o que apeteceu reviver? Pois… o Bazar Khan El-Khalil!! Tendo já visto o que mais apetecia na cidade, queimei os últimos momentos a reviver o lugar de maior “intensidade” do Cairo. Gosto de todos os sentidos a acotovelar-se para ganhar a primazia da minha atenção. E como é difícil decidir…
Aproveito para, finalmente, gastar alguns cobres em gestos simbólicos que me farão lembrar com carinho este fantástico país. Exploramos novos recantos, perdendo-nos, amiúde, em locais que muitos apelidariam de… “não recomendáveis”. Tudo sereno. Novos odores, embora não tenha experimentado distintos sabores. O Cairo é, realmente, uma cidade estimulante. Desafiante.
Também “inventamos” roteiros sem sentido no bazar… e são os sorridentes locais que nos vão guiando no regresso à “normalidade”, da qual voltamos a divergir. Novas mesquitas e monumentos. Alguns quase só para nós…
É tempo de voltar ao hotel. Temos hora marcada, ao fim da tarde. A última noite promete ser de arromba. Uma verdadeira dança. Do ventre….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?