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Danças do Ventre e Sufiiiii…

Egito Médio Oriente

O vocalista que antecede o mais aguardado espetáculo é surreal. No aspeto e no que canta. Não há uma única música em inglês em que respeite a letra. Vai inventando palavras em acentuação similar – às vezes, nem isso – à original. E o espetáculo começa logo aí. Irrelevante o seu penteado anacrónico ou a postura corporal. Se me dessem meio milhão de tentativas, jamais adivinharia que ganhava dinheiro a cantarolar. Um verdadeiro cenário decadente dos anos 70. E não há NADA que pague algo assim. Divinalmente… D E L I C I O S O!!
Depois de um concorrido e engarrafado buffet, vem o melhor: a dança Sufi. Típica do Islão, este tipo de arte – não tem outro nome – baseia-se em impressionantes rodopios, em sete movimentos principais (representam o movimento de outros tantos planetas e as sete recomendações do poeta persa Jalal da-DinRumi).
Esta dança mística é espiritual e uma oração, uma busca de uma relação com Deus. Dizem que guia corpo e alma até a luz espiritual do coração. Neste caso, o espírito é mesmo entreter turista. E alguns locais. Uma divergência a favor do turismo.
O bailarino, quase cinquentão, em coreografia mesclada entre o espetáculo e o humor, usando um outro alegado dançarino, anão. Os seus trajes são belos. Coloridos e largos. Com luzes que dão efeito especial quanto as restantes da sala do cruzeiro se apagam. Um sorriso contagiante e uma postura altiva, sem qualquer resquício de atitude negativa. Encanta.
A dançarina do ventre é norte-americana. Este tipo de arte não é bem-visto para as mulheres egípcias e são estrangeiras a assegurar que o espetáculo continua. “The show must go on”.
A verdade? Não impressionou. Nem pelos seus encantos femininos, nem pela qualidade artística. Mais preocupada em rodar pelas mesas – declinamos, gentilmente – em fotografias com os “convidados”, que no fim lá deixaram bons cofres para guardar a recordação. É suposto ser o momento alto da noite (foi por “isto” que vicemos ao espetáculo, pagando expressivos 28 euros, valor bem considerável para os padrões do Egito). Vi bem melhor em Tbilisi, capital da Geórgia, em restaurante do Azerbaijão. A dançarina era superior, em todos os sentidos, e cada número tinha um candelabro na cabeça. Inesquecível….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?