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Jinyu Xie… ou Patrícia?

Ásia China

“Rui, por favor, deixa-me ir contigo! Prometo que não atrapalho”, disse-me, em tom quase suplicante, Patrícia. O seu verdadeiro nome, Jinyu Xie. Surpreso, hesitei uns segundos antes de dar o veredicto. Serenamente, disse-lhe os “contras” e, pacientemente, fiz-lhe ver que os “prós” não eram… razoáveis. O meu discurso foi assertivo, mas nem por isso a demoveu. O brilho dos seus olhos deixou-me encurralado. Perante tanto entusiasmo e vontade, acedi. Relutante, admito…
Tinha acabado de marcar viagem para a Macedónia. Um périplo que passaria ainda pelo Kosovo, Albânia e terminaria na Grécia, na singular ilha de Corfu.
Afinal, iria ter inesperada companhia. Uma jovem com metade da minha idade, com valores culturais bem diferentes dos meus, experiências de vida demasiado afastadas e ela com uma inocência que há muito perdi. Estas apenas as mais visíveis diferenças. Condimentos de sobra para correr… mal.
Em viagem, necessitamos dos nossos ajustes. Normal. São 24 horas sobre 24 horas. Porém, vivemos um conjunto de experiências que nos marcaram. Aproximaram-nos. Uniram-nos. Até hoje. Depois de estudar português um ano em Coimbra, Patrícia voltou à china em 2012. Mantemos contacto regular. É tempo do esperado reencontro.
Ao contrário de boa parte dos seus compatriotas, Patrícia é expansiva. Exemplar executante de piano – há uns anos, ganhou um concurso nacional na China, para amadores – e dançarina do grupo da universidade, tendo andado, mais do que uma vez, em digressão fora do país.
Patricia estará à nossa espera em Kunming, a sua cidade natal. No aeroporto, prometeu. Vamos ter tempo para matar saudades. E está prometida memorável noite “familiar”….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?