Yuantong Shan

Ásia China

Não há o nosso pão. Nem queijo. Fiambre ou compotas. Vingamo-nos em melancia, laranjas e doce. Hoje não apetece atacar o dia com arroz, frango e diversidade de vegetais ao pequeno almoço. As opções não são muitas. E não temos a criatividade do nosso vizinho na esplanada (ao ar livre, quarto andar, ao lado de lago e jatdim) que, qual herói de Shaolin,  enfarda seis ovos cozidos de uma só vez…
O primeiro objetivo está a uns 15 minutos a pé. Antigo zoo (ainda repleto de exóticos animais), feira, jardim, restaurantes, feira popular. É sábado e as famílias pagam os dois euros de entrada  sem hesitar. Montanha de Yuantong é dos destinos favoritos dos locais. Um homem está de perfil. Outro recorta-o em segundos. O perfil, claro. Em papel. Depois, é a esposa. Em segundos, montado um amoroso retrato. Vende-se como o mel que, na banca ao lado, parece dar lugar a criativos chupa-chupa. O comprador faz rodar uma roleta. O símbolo ou animal que sai – todos com significado – será transformado em guloseima. Apetece… Há pequenas pedras esburacadas que são instrumentos musicais. Bonecos de barro. Artesanato. E brilham as sakuras e Chinese flowering crabapple. Ou seja, resplandecentes flores lilás. Por todo o lado. E sucedem-se as fotos das mesmas. Cenário parecido com imaginário que tenho do Japão. Tigre branco. E outro malhado. Portentosos elefantes. Lobos desgastados. Leopardos. Elegantes Flamingos. Gnus. Curiosos Lamas. Irrequietos macacos. Resignados ursos. Frágeis leões. As pessoas adoram – e atiram comida a todos – mas da dó. Ver animais selvagens em cativeiro. E, ainda por cima, com um tratamento que deixa demasiado a desejar… Há um ancião que toca flauta. Sentamos e inspiramo-nos na melodia triste…
Recompomo-nos em mercado. Qual praça de alimentação, onde a mistura de odores e sabores confunde qualquer ocidental. Patrícia trata de nos revelar vários pratos que desconhecemos. Mas é uma bebida de coco com pão a boiar que nos arrebata. Temos o combustível suficiente  para atacar o rasto do dia….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?