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Ver na ponta dos dedos

Ásia China

Os parques nunca estão sós. São das maiores bênçãos da China. Lugar privilegiado para a socialização sobretudo dos mais velhos. Não está na hora do tai chi, nem das aulas de dança. É mesmo o jogo que domina. Cartas e “Ma jiang” (majong) acima de tudo, este. Homens e mulheres.  Indistintamente. Quase sempre a dinheiro. O jogo é mesmo um desporto nacional.
Contorno um templo e ouço rouca melodia em tonalidade megafone. Idosa em cadeira de rodas elétrica. Um velhote toca  Erhu e outra jovem, apenas sessentona, define a cadência do ritmo. Sentem-se orgulhosos do nosso interesse.  Lisonjeados. Sentamos e apreciamos.  Nada como ter a Jinyu Xie por perto…
O caminho faz-se sempre com petiscos. Haja ou não vontade, uma novidade motiva gastronómica paragem. Fruta exótica. Snacks de coisas que até hoje não entendemos muito bem o que é. Nem com a respetiva tradução.
O vistoso arco de Jinma Biji continua imponente. É o símbolo que mais orgulha Kunming. Fica registado em fotos de muitos transeuntes. Em dois dias na cidade, apenas vislumbramos dois estrangeiros.  Um casal. Um raro prazer, a ausência de turismo internacional. Há uma mega tenda. Bem concorrida. São especializados em fotos de casamentos. Na verdade, tiram antes e mostram o resultado durante a cerimónia.  Aqui, ainda há demasiados crentes nas virtudes do matrimónio. Celebremos.
Depois de explorar pequeno mercado no qual o chá volta a ser o tema principal, é hora de relaxar. Dar um tónico ao corpo. Em pleno parque, um grupo de invisuais faz massagens. E que massagens… Sentados, cabeça, pescoço,  ombros e costas agradecem…estes aplicados profissionais vêm como ninguém… Com a ponta dos dedos.  Tonificados corpo e mente. Excelente repetir experiência marcante de 2008, neste mesmo parque….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?