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Os segredos do lago Erhai

Ásia China

O lago Erhai fervilha em vida. História. Tem encantos de sobra. Nada como contorna-lo. O mercado de Xizhou é apenas a primeira paragem. Reservamos táxi para o dia. E damos-lhe sinal de paragem em imenso campo de cebolinho. Dezenas de trabalhadores espalhados no horizonte. Mal tinha abandonado a viatura e Maria já atacava de máquina fotográfica sempre atenta. Conversa de circunstância, devidamente traduzida por Jinyu Xie. Já sabemos um dos vários pratos a saborear neste dia. As árvores engolidas pelo lago são poéticas. E, sabendo disso, aves várias pousam nos seus despidos ramos. Dão-lhes ainda mais carácter. A montanha revê-se em imagem sumptuosa nas tranquilas águas…
Um grupo de jovens descalça-se e irrompe no cenário, molhando-se até aos joelhos. O efeito das fotos justifica a ousadia. Há painéis solares por todo o lado. Não apenas nas casas, mas também na iluminação pública. Um pequeno avião faz parte do ‘kit’ energético. Segue a direção do vento e vai alterando a posição do painel ao longo do dia. Há uma aldeia da etnia Bai que não tem turistas. Uma preciosidade. Fazemos a vontade à nossa curiosidade. Os homens estão para fora. Este agora é reduto exclusivo de mulheres. Que não dispensam o orgulhoso traje da sua etnia. A conversa começa na única rua que rasga a aldeia e tem assim uma espécie de abrigado ponto de encontro. Não tarda e o grupo é reforçado. Sobra quem queira saber a curiosidade que move estes estrangeiros em aldeia sem ponta de interesse para o turismo de massas. Gostamos da gente. Apreciamos a arquitetura de um povoado que não revela carências. Rural, mas aparentemente pujante. E quando assim é, os sorrisos fluem mais facilmente. Dizem que são 19 os picos de montanha e 18 os cursos de água que brotam pelo seu corpo ate se espraiarem no lago Erhai.
O carro rosna para chegar a meio da montanha,  onde nosdeixa. Estamos no Tao Xi Organic Valley, precisamente entre os picos mais altos: Zhonghe Feng e Xiaocan Feng. Começámos a subir e encontramos uma espécie de pombal, com surpreendentes pinturas. Jurava que o espanhol Juan Miro tinha deixado aqui a sua marca. Os caminhos são íngremes e os picos ainda demasiado distantes. Invertemos a marcha em escondido hotel de charme. Um complexo com vasta plantação de chá, que cruzamos,  e as melhores vistas para a cidade velha de Dali e o lago, igualmente abraçado por imponentes montanhas do lado oposto. As requintadas esplanadas – ao lado da piscina, junto a cascatas naturais e uma terceira  sobre um discreto estrado em cima da relva e sob esplendorosa árvore – bastavam para me convencer a ficar. As casas de apoio, em pedra cinza escura, dão-lhe o mais charmoso toque rústico,  num ambiente de plena tranquilidade. Não vimos ninguém. Os três pagodas são a marca registada de Dali. Imponentes na paisagem. Mas eu ainda estava na montanha….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?