JANTAR EM FAMÍLIA

Ásia China

O primeiro jantar em família deu lugar a um segundo. Amiga da amiga da mãe da Jinyu Xie apanha-nos numa das saídas da cidade velha. Conduz quinze minutos e estamos em hotel luxuoso. Na verdade, acreditam que tem comida internacional, que melhor nos satisfaça. Ainda bem que se enganou.
A família é da etnia Naxi. Como várias outras, cedeu o seu lugar na cidade velha. O comércio dá bom dinheiro por m2 e permite um apartamento em condições bem melhores na zona nova. A senhora é professora, o marido ex-militar e o filho jornalista na televisão regional de Lijiang. Pena não se safar no inglês. Houve vários detalhes interessantes que me pareceram perdidos na tradução.
Uma “panela” (hot pot) em permanente lume a gás e vários suculentos pedaços de iaque. Esse belo, possante e peludo aninal das zonas altas tibetanas e chinesas, entre outras. Depois, é buffet com peças que vamos afundar na água fervilhante, com algum tempero. Vários tipos de saborosos cogumelos, diversos legumes, algas, tofu, massas…
Dumplings e outras iguarias que não fixei permitem longo, faustoso e  mais do que delicioso jantar. Até a pastéis de nata, em esforçada receita local, tivemos direito. Mais uma experiência. Nesta altura, já são dezenas as iguarias experimentadas, já que a curiosidade nos tem mimado em demasia.  Jinyu Xie tem sido exímia nas sugestões.
Dizem que os Naxi são muito inteligentes. E que muitos têm profissões das mais nobres. E têm língua e religião próprias. Quando falaram a sua língua, nem a nossa fiel amiga tradutora lá chegou. O jantar já estava pago. E ainda levamos saco cheio de bolos, especialidade da pastelaria da senhora. Começam a ser muitos os casos de extrema simpatia chinesa…

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?