SERENIDADE EM SHUHE

Ásia China

A arquitetura pouco difere da cidade velha de Lijiang, da qual dista apenas uns oito quilómetros.
Shuhe tem mais espaço. É mais arejada e menos turística. O sol em céu azul e os 27° conferem o ambiente ideal de férias, ainda mais quando sei que chove em Portugal. Maria ainda anda às voltas com a roupa. A emprestada não lhe basta. Dou os meus palpites e procuro colorida saia Naxi para oferecer.
Ouso vesti-la e logo deixamos os presentes em alvoroço. Divertida brincadeira deixa a plateia sem saber muito bem o que pensar. Irrelevante. As reações – mais ou menos evidentes – divertem-me. E dão-me fome. Em minutos estamos em esplanada.
Sobre um curso de água. A metros de uma outra esplanada onde uma diva me encanta com a sua voz, acompanhada pelos relaxantes acordes da sua guitarra. A natureza completa a orquestra com o som da água e a brisa que amaina os efeitos do sol no rosto…
Novas surpresas gastronómicas. A beringela continua a maravilhar-nos em improváveis combinações. Apetece, mais uma vez, perder o amor à carteira. Algum ficará por ali. É para isso que serve o dinheiro: fazer-nos felizes e aos que amamos.
Deambulamos sem rumo certo. Até que seguimos nova musica. Agora mais animada. Vemos gente a juntar-se. Promete festa. E assim é. Um espetáculo que junta as 25 etnias do Yunnan representadas em danças e trajes muito próprios. Orgulho que os distingue.
Agora o sol esmaga. Investiremos quase uma hora no show que não conseguimos abandonar. Cores garridas. Dança. Ritmo. Caras bonitas. Cativam. A liberdade de dispormos do nosso tempo. Sem tempo. Essa é a melhor forma de desfrutar de Shuhe..

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?