Impressionante Shwe In Bin Kyaung

Ásia Birmânia

Um dos maiores dilemas de uma mochila leve é o que lá colocar. Com o passar dos anos e a rotina de viagem, tudo mais fácil. A grande dúvida? A barba…
Sim, não uso gillette. Prefiro a máquina de cortar (na verdade, rapar) cabelo que me deixa a barba como se dois dias tivesse. É o tamanho mínimo decente para quem não gosta de se ver… “lavadinho” de rosto.
Vinte e cinco dias fora é muito tempo… mas acredito que atacar este “mal” em duas ocasiões pode ser suficiente. É, assim, que a ocasião se proporciona. A caminhada matinal rumo ao mais estimulante dos mosteiros (lá iremos) faz-nos atravessar um mercado atabalhoado até esbarramos num salão de cabeleireiro/barbeiro.
A minha proposta é justa: emprestam-me a máquina e eu próprio faço o trabalho. Pagando o mesmo. É esse o meu ‘modus faciendi’. Que, no entanto, e somente desta vez, fica na gaveta. A idade da senhora de origem chinesa faz-me duvidar do acerto da sua mão. Arrisco.
Preferia a sua filha. Bem mais bela e fluente em inglês. prepara um penteado artístico para um casamento. Uma verdadeira obra de arte. Bom, a verdade é que a “avozinha” não se safa mal de todo. No fim do seu trabalho, “apenas” tenho de perder uns 15 minutos nos acertos finais.
Com as mesmas mãos sábias, Daniel deixa lá barba e cabelo. Literalmente. Só lamento não ter lavado o cabelo, já que o meu amigo teve direito a massagem facial. Até ao interior das narinas…
É com esta frustração que sigo caminho. E, sob um sol uqe já ameaça os 40º, caminhamos mais do que o esperado. Acabamos por entrar em rua secundária até descobrir o impressionante Shwe In Bin Kyaung.
Do que se trata? Provavelmente o mais belo – esculpido em teca – e um dos mais tranquilos mosteiros para meditar. Com cativantes detalhes em balaustradas, paredes e cornijas. Ideia de mercadores chineses abastados, no fim do século XIX. E continua em excelente estado de conservação.
Não sabia o que esperar, pelo que a surpresa não podia ser melhor, pela sua elegância e ricos detalhes. Cirando sem testemunhas. Aprecio a serenidade e tranquilidade do lugar. Os monges estão na sua pacata rotina e sento-me no chão a contemplá-los. Imagino que gostava de experienciar a sua vida por uma semana. Ou duas…
Este é um mosteiro “vivo”, pois alberga mais de 30 monges. Respeito o seu espaço. Saboreio o local. Até que é hora de partir….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?