Pagodes, Mosteiros & Monges

Ásia Birmânia

Religião é passatempo (com o devido respeito para os crentes) que não me assiste. Demasiados argumentos resultariam em longaaaaaa história, que não vem para o caso. Ainda assim, aprecio as suas mais diversas manifestações. É, por isso, que o longo dia começa com cerimónia religiosa em mosteiro de Mandalay. Não sei se é por ser fim de semana, mas o budismo está em efervescência. A julgar pelas crianças trajadas a preceito, até parece uma exótica primeira comunhão.
O buda continua tranquilo. A ficar disforme tal a quantidade de folhinhas (alegadamente) banhadas a ouro que lhe colam no corpo. Os homens atropelam-se por essa honra, vedada a mulheres. Estas estão proibidas de passar determinada linha. São as maiores devotas (pelo menos, em número), porém… É por estas e por outras que a religião…
Aprecio o olhar orgulhoso e sereno das inocentes crianças. Algumas, distraídas com a presença de “gente estranha”. Comportam-se como é esperado, não desafiando a ordem. Sem qualquer traço de irreverência ou birra, independentemente das tenras idades.
Começa a ser muito budismo para mim – há mosteiros e pagodes por TODO o lado – e vou respirar a um mercado, que cedo percebo ser turístico. Demasiado. Na prática, uma grande loja em que podemos ver o processo artesanal de manufaturação de diversas coisas. Nota-se a qualidade e o interesse de muitos artigos.
Os preços que me atiram são tão ridículos que rapidamente indicamos ao taxista (vai estar o dia todo connosco, sendo que cada um paga o equivalente a oito euros) para nos levar a um lugar idêntico, “sem  turistas por perto”. E esta parte é repetida com assertiva serenidade: “SEM… QUALQUER…TU-RIS-TAAAA”.
É assim que, a um par de quilómetros, encontramos os mesmos produtos a menos de metade do preço. Somos os únicos clientes nesta altura. Assim, bem mais fácil negociar. E fazer negócio. Esta noite, a mochila vai rosnar…
Seguiremos para Amarapura, a antiga capital da Birmânia. O objetivo é o Mosteiro Mahagandayon, no qual todas as manhãs os seus mais de 1.000 monges residentes se alinham para receber as oferendas de comida por parte da devota população.
Os monges organizam-se em duas filas, os voluntários distribuem os alimentos e a refeição decorre em família. No fim, a comida que sobra é devolvida a alguma população, mais carenciada. 
O mosteiro não se destaca pelos edifícios, mas surpreende pelo seu tamanho, já que engloba escolas, dormitório, salas de refeição e oração, lavandarias, ruas… Nada falta. É como uma pequena aldeia independente.
Ainda iremos a mais um amplo conjunto de pagodes, atravessando o rio. O completo é enorme e a pé é complicado visita-lo, até porque, recordo, temos de andar descalços. Obviamente, meias incluindo.
Há degraus incontáveis rumo ao topo, fáceis de subir, pois a cada metro há uma pequena banca a vender todo o tipo de souvenires que se possam imaginar. As mulheres, obviamente entusiasmadas. Eu… não consigo esconder igual brilho no olhar. Um dia tramado para compras…
O almoço é bem tardio. E perdemo-nos em conversas com locais, sempre entusiasmados e orgulhosos por tirar fotos com sorridentes estrangeiros. Na verdade, o sentimento é recíproco. E é assim que o tempo escorre, sem que o sintamos o seu peso…
O por do sol aproxima-se e estamos cada vez mais próximos da cereja… a ponte U-Bein..

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?