Sublime ponte U-Bein

Ásia Birmânia

A ponte U-Bein deixou de ser um segredo. Pudera. De tão especial e singular, difícil seria passar despercebida. Até para os locais, que também se sabem tratar bem.
Antes de avistarmos a obra de arte de teca, com 1,2 quilómetros e quase 200 anos de idade, deparamo-nos com o rebuliço habitual em lugares de interesse público: há tendas e todo o tipo de lojas que assistem o visitante nas suas mais diversas potenciais necessidades.
Subimos a uma estrutura com vista privilegiada para a ponte. As águas do lago Taung Tha Man estão subidas e o improvisado campo de futebol já está submerso, sendo denunciado apenas pelas balizas.
Já há barcos com visitantes ávidos de fotografar o por do sol do meio do lago. E há pescadores plantados na água, com água até aos joelhos. A Reaktor é bebida isotónica em promoção – oferecem-nas aos transeuntes, preferencialmente aos estrangeiros – mas não precisamos dela para ter asas. Para o sonho e ilusão. Este lugar é, efetivamente, mágico. Tem um “peso” espiritual que não senti em qualquer pagode ou mosteiro. Aqui há história. E imagino-me como seriam aqui os dias há um século…
É um exercício de gincana caminhar na ponte. Toda a gente tira fotos. Todo o Mundo entusiasta por uma recordação deste lugar. Ninguém é imune ao registo fotográfico. Entretenho-me a entrar em fotos onde não é suposto estar. Mas, invariavelmente, sou recebido com regozijo, excitação e sorrisos. Não por ser “eu”, evidentemente. Esta é das melhores partes da aventura: a interação com os locais. E os birmanenses são dos povos mais calorosos que encontrei no planeta.
Do lado direito da ponte, o lago reflete árvores despidas, cabanas e o sol. O simples exercício de inverter a imagem daria uma tela fantástica, quase gémea verdadeira de uma fotografia capa de revista. Até porque tem algo que o céu não apresenta, os pequenos barcos.
A meio do lago, terra firme. À esquerda, um bar com ampla esplanada. Máquinas fotográficas profissionais já estão instaladas em cima do tripé. Imagino que serão muitos os registos, aproveitando as diferentes tonalidades do céu. O sol está fogo. Grande. Vivo. Intenso. E as águas refletem-no em matizes poéticos.
Regresso à ponte, pois desejo cumpri-la até ao fim. Apercebo-me de uma “entrevista”. É uma jovem das Maurícias que fala com um monge. Quer saber de tudo. Acabaremos por partilhar experiencias. Dicas. Uma conversa que me demora e impede de chegar ao extremo da ponte, para não prescindir do momento ilusório que aqui me traz: o sol a fundir-se no horizonte…
Os barcos que cirandam pelo lago são agora meras sombras. Movem-se lentamente, como num dengoso bailado sobre gelo, pequenos protagonistas a deslizar em camara lenta.
Estar aqui é um privilégio. E dedico alguns minutos a fixar-me nisso. O mp3 sai do bolso e permito-lhe alguns acordes. Estas imagens proporcionam momentos sublimes. A companhia é excelente. E há o desejo de que cada segundo perdure pela eternidade….

Rui Barbosa Batista
Um mix de jornalista, líder e cronista de viagens, cumpri em 2016 uma centena de países no currículo. Cobri noticiosamente os Jogos Olímpicos na China, o Mundial de futebol na África do Sul e na Rússia ou os Jogos Europeus no Azerbaijão, mas o que me apaixona verdadeiramente são as pessoas e tudo o que (ainda) não conheço. Aventuras em inóspitos desertos, desafiantes glaciares, imponentes vulcões ou sublimes fiordes juntam-se ao doce prazer de cidades charmosas, países remotos e culturas exóticas. De tudo um pouco é feita a minha experiencia no globo. Continuamos juntos?